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Actualizado às 10:34 PM, Sep 15, 2019

Viúvas

Baseado na série inglesa «Widows», de Lynda LaPlante, o novo filme de Steve McQueen é um thriller no feminino com manchetes #metoo. «Viúvas» é também uma visão acutilante de uma América violenta e corrupta, onde surgem tópicos a atropelarem-se uns aos outros: das questões raciais às denúncias sobre nepotismo na política. É como se o elemento do suspense tivesse que ter um requerimento de “tema”.

Filme de golpe? Claro que sim, uma espécie de «Ocean's Eight» sem brincadeiras e carrancudo. Mas já não é o Steve McQueen livre dos tempos de «Fome» ou das ousadias de «Vergonha». O cineasta (que cada vez é menos artista plástico) quer fazer um cinema “total”, assumidamente “mainstream”. O que é curioso é que mesmo sendo o seu pior filme não deixa de ser uma obra bem recomendável, uma envolvente experiência de linguagem coral, onde se consegue dar espaço a duas mãos cheias de personagens complexas e desenvolvidas com tempo e moderação. No dispersar...pode estar o ganho.

O filme é a história de um grupo de viúvas de um grupo de assaltantes que morreram num golpe fatal. As viúvas são obrigadas a reunirem-se pois os seus maridos terão deixado uma dívida à máfia local. Resta-lhes então um golpe em conjunto para conseguirem seguir as suas vidas numa cidade manchada pela corrupção e pela aproximação de umas disputadas eleições municipais.

Claro que a tal fartura de personagens e tons sufoca um pouco todo o conceito, mas «Viúvas» funciona exemplarmente como filme de atores. E aí é impossível não colocar num pedestal uma incrível Viola Davis, um discreto Liam Neeson, um incrível Daniel Kaluuya e um poderoso Robert Duvall. E ainda me estou a esquecer de Elizabeth Debicki, de Colin Farrel e de uma estimulante Michelle Rodriguez.

Em suma, «Viúvas» é um filme que nos entra na pele pela calada, embora também nos deixe água na boca, sobretudo quando quer ser filosófico na sua vertente de conto de ganância.

tres estrelas

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