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Actualizado às 8:37 AM, Jun 18, 2019

Spike Lee - Melhor Realizador 2018 Revista Metropolis

Este foi o ano em que vimos Spike Lee erguer bem alto a sua voz através do melhor cinema que sabe fazer. É um exagero dizer que o realizador nova-iorquino estava perdido, mas filmes como «O Milagre em Sant’Anna» e o ‘remake’ «Old Boy: Velho Amigo» parecem obras menores ou desadequadas na sua filmografia. Será também excessivo considerar que o cineasta reencontrou a sua relevância artística à sombra do sucesso de Donald Trump. A história de «BlaKkKlansman: O Infiltrado» gritava para ser filmada, mas o projeto foi sendo adiado. O triunfo dos nacionalistas brancos nos Estados Unidos e dos movimentos de extrema-direita em vários pontos do mundo, tornaram evidente a oportunidade de concretizar o filme. Spike Lee foi certeiro na mensagem que gritou e fê-lo com uma narrativa adequada à história. Numa época em que não há subtilezas, nem o subterfúgio do politicamente correto, era urgente tomar partido desta forma, paradoxalmente raivosa e ponderada, na gestão das agendas e dos conflitos raciais. «BlaKkKlansman» divertiu-nos e atordoou-nos, fez-nos refletir como poucos filmes que vimos em 2018. Ficamos felizes por Spike Lee ainda estar aqui e com a sensação de que o Festival de Cannes poderia ter ido mais longe – um Grande Prémio do Júri tem a dignidade de parecer uma segunda Palma de Ouro, mas daqui a uns anos este filme vai encontrar outro lugar na história.

Texto publicado na Metropolis nº 65 (Janeiro 2019)

  • Publicado em Feature

BlacKkKlansman: O Infiltrado

Spike Lee regressa em ótima forma com um filme onde consegue transmitir as suas frustrações e preocupações de uma forma construtiva, como uma espécie de saga anti-racial onde tudo faz sentido e pode ser considerado positivo.

A história de «BlacKkKlansman: Infiltrado» é ambientada nos anos 70 e protagonizada por Ron Stallworth (John David Washington) o primeiro policia negro do departamento de Colorado Springs. A sua missão inicial é infiltrar-se numa manifestação pública com um líder afro-americano para avaliar o comportamento das pessoas e o grau de mobilização. Ron conhece Patrice (Laura Harrier), a organizadora do evento, com quem desenvolve uma relação de confiança. Essa proximidade entre ambos levará Ron a questionar-se sobre a sua atividade enquanto policia e o compromisso com a comunidade afro-americana à qual pertence e com a qual se identifica.

A sua missão seguinte é bem mais complexa. Apesar do seu estatuto de novato, Ron convence o departamento policial a deixá-lo liderar uma investigação sobre o KKK – Ku Klux Klan, também conhecido como A Organização. Colocando uma voz de homem branco, ele consegue entrar em contato com um membro do Klan, desenvolvendo um discurso extremamente racista que é música para os ouvidos do seu interlocutor. Ron recebe um convite para um encontro pessoal e aí reside o problema. Para superar a questão da cor, Flip Zimmerman (Adam Driver), um colega de Ron assume-se como um duplo que passa a desempenhar a missão junto dos elementos do KKK.

Policia branco, policia negro. O plano do infiltrado funciona ao ponto dele participar no planeamento de uma série de linchamentos e ações terroristas organizadas pelos racistas e travar conhecimento com David Duke, um dos grandes feiticeiros da organização na década de 70.

Spike Lee encontrou na biografia de Ron Stallworth a matéria adequada para realizar um filme esteticamente marcado pela cultura ‘blaxploitation’ e que valoriza o papel dos afro americanos no cinema – seja através uma excelente personagem heroica como Ron, ou da revisão de cenas de clássicos como «E Tudo o Vento Levou» ou «O Nascimento de Uma Nação» onde é evidente que Hollywood filmou por diversas vezes a história na perspetiva da supremacia banca.

Os diálogos são extremamente contemporâneos de forma a acentuar os preconceitos raciais mais viçosos e que perduraram no tempo. A atualidade do filme é sublinhada através de imagens da tragédia de Charlottesville, em 2017, e de uma dedicatória final a Heather Heyer, a jovem ativista dos direitos civis que morreu nas manifestações. Uma opção que pode ser entendida como desnecessária mas é adequada ao tom do filme.

«BlacKkKlansman: O Infiltrado» está nomeado para 6 Oscars.

Crítica publicada na Metropolis nº62

Oferta de convites Antestreia «BlacKkKlansman: O Infiltrado» Lisboa e Gaia

Do cineasta visionário Spike Lee chega a inacreditável história verídica de um herói americano.

No início dos anos 70, um período de grande agitação social onde a luta pelos direitos civis vai enfurecendo. Ron Stallworth (John David Washington) torna-se o primeiro detetive afro-americano do Departamento da Polícia de Colorado Springs, mas a sua chegada é vista com ceticismo e abre hostilidades nos vários departamentos. Com audácia, Stallworth decide subir a pulso e fazer a diferença na sua comunidade; e é com grande coragem que entra numa perigosa missão: infiltrar-se e expor o Ku Klux Klan.

Blackkklansman web

Estreia a 6 setembro de 2018

Passatempo

A NOS Audiovisuais e a Revista Metropolis têm para oferecer convites duplos para a antestreia de «BlacKkKlansman: O Infiltrado» em Lisboa e Gaia.

Sala e sessão

LISBOA
CINEMAS UCI, EL CORTE INGLES
TERÇA-FEIRA, DIA 4 SETEMBRO, 21H30

GAIA
Cinemas UCI Arrábida
TERÇA-FEIRA, DIA 4 SETEMBRO, 21H30

Por favor leia as regras dos passatempos

Para se habilitar a um dos convites válidos para duas pessoas que temos para oferecer, seja preferencialmente nosso fã no Facebook. Basta colocar um gosto na nossa página. Se já é nosso fã, o nosso muito obrigado! E responda a uma pergunta.

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CONVITE ANIVERSÁRIO
* Se o seu aniversário for em Setembro envie a sua participação directamente para Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. (Assunto: «BlacKkKlansman: O Infiltrado») com a resposta, o seu nome completo e número de CC ou BI e sala de cinema. Envie ainda a cópia de um documento que inclua o seu nome e data de nascimento – a parte da frente do seu cartão de cidadão, de um qualquer diploma ou qualquer outro documento que apresente essas informações de forma clara).

* A atribuição destes convites não é automática, depende do número de convites disponível e de aniversariantes que participam.
* Se enviar cópia de BI/CC e a imagem for de boa qualidade, deve sempre ser inutilizada (por exemplo tapando dados que não interessam, escrever a palavra “passatempo” na diagonal por cima, etc.). E naturalmente não precisamos da frente e verso.
* As participações de aniversário são apagadas uma semana após a sessão.

METROPOLIS EDIÇÃO Nº61

Capa M61

REGRAS GERAIS DOS PASSATEMPOS

* SE NUNCA GANHOU CONVITES METROPOLIS PODE INDICÁ-LO NA ÁREA DOS COMENTÁRIOS.
* Os dados comunicados não serão revelados a terceiros.
* Todas as participações serão numeradas por ordem de chegada e um programa informático seleccionará as premiadas;
* Solicitamos a todos os participantes que consultem com regularidade as suas caixas de correio, incluindo o "Lixo";
* O envio de mails aos premiados até cerca de 24 horas antes da sessões é uma cortesia. A Metropolis publica listas de premiados pouco depois do apuramento.
* Os convites são válidos no limite dos lugares disponíveis e devem ser levantados atempadamente antes da hora marcada para a sessão. A METROPOLIS não se responsabiliza caso a sua entrada seja recusada por excesso de lotação.
* Os faltosos serão excluídos de futuras ante-estreias METROPOLIS. Por favor, participe apenas se desejar e puder estar presente.
* Evite participar em seu nome e no de mais de 20 amigos. A não ser que eles não tenham acesso a internet, não há justificação para que não sejam eles a fazê-lo. As hipóteses de ganhar aumentam com as participações verdadeiramente individuais.

BlacKkKlansman: O Infiltrado - crítica

Bizarra memória (ainda que absolutamente verídica): na década de 1970, Ron Stallworth, um polícia negro de Colorado Springs, conseguiu infiltrar-se na rede da organização Ku Klux Klan, mantendo os seus contactos por via telefónica... Ponto de partida quase burlesco que, inevitavelmente, a pouco e pouco, se vai transfigurando num impressionante fresco histórico sobre as muitas formas de violência racista, desembocando em referências de um presente em que os EUA têm Donald Trump como presidente — mais um prodigioso filme de Spike Lee, um dos acontecimentos maiores de Cannes/2018.

* Publicado na Metropolis nº 60 (Junho 2018)

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