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Actualizado às 10:13 PM, Aug 20, 2019

Posto Avançado do Progresso

Baseado no clássico conto literário de Joseph Conrad, «Posto Avançado do Progresso», foi adaptado e realizado por Hugo Vieira da Silva. É uma história sobre as fragilidades do Império Português em África. A alegoria estende-se à presença do homem branco no continente africano colocando a nu o colonialismo europeu perante as populações nativas através da sedenta exploração dos recursos naturais e humanos. Nuno Lopes e Ivo Alexandre interpretam os novos capatazes de um entreposto comercial português que comercializa marfim. O calor, a inexperiência e a relação com os indígenas faz mossa nos dois ocidentais que lentamente são apanhados pela paranoia do local e entram numa espiral destrutiva onde se cruza a frustração com a ganância e a magia. O conformismo e a preguiça levam à incompetência e ao confronto entre os dois homens. A realização bebe dos primórdios do cinema mudo ao criar uma atmosfera visualmente onírica e intemporal onde os personagens dizem tudo com a sua presença física com Nuno Lopes e Ivo Alexandre a encenarem na perfeição o argumento de Hugo Vieira da Silva.

São Jorge

A austeridade sente-se no novo filme de Marco Martins, onde o ator Nuno Lopes dá corpo a um pai que zela pela sobrevivência da sua família fazendo cobranças difíceis. A história deste homem é a de muitos portugueses confrontados com as dificuldades que surgiram em Portugal durante o período de crise e de assistência financeira. Por isso, «São Jorge» parte de um drama pessoal e familiar para explorar uma dimensão mais global dos efeitos da crise. Pela primeira vez em cinema, Marco Martins dirige um elenco não profissional, em colaboração com os trabalhadores dos estaleiros navais, com os quais fez um trabalho de pesquisa para uma peça de teatro. Marco Martins foi ao encontro da história recente, fazendo um filme oportuno e irrepetível, que é o espelho de um país marginal, quebrado pelas dificuldades, e Nuno Lopes responde da melhor maneira.

Sinopse:
Jorge, boxeur, desempregado, corre o risco de perder o seu filho e a sua mulher, quando esta decide regressar ao Brasil. Em desespero, aceita trabalho numa empresa de cobranças difíceis. Ironicamente, Jorge passa a intimidar aqueles que, como ele, se veem a braços com dívidas que não conseguem pagar. Impele-o a fé numa vida melhor para a sua família, mesmo quando se vê empurrado para um caminho de marginalidade.

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Nuno Lopes recebe prémio de melhor ator em Veneza

O português Nuno Lopes recebeu prémio especial de melhor ator na secção competitiva Orizzonti do Festival de Veneza. A distinção surgiu pelo seu papel no filme "São Jorge", realizado por Marco Martins. Nuno Lopes encarna a personagem de um pugilista desempregado que começa a trabalhar numa empresa de cobranças difíceis. Para este papel, o ator ganhou 20 quilos e executou um programa de treino físico durante seis meses. A secção Orizzonti é dedicada a filmes de vanguarda e novas estéticas do cinema. A estreia de "São Jorge" nos cinemas portugueses está prevista para 3 de novembro.

Posto Avançado do Progresso

Foi a boa supresa do Forum. Um filme fora da caixa que confirma Hugo Vieira da Silva como um das vozes mais bizarras e insanas do novo cinema português. Depois de «Body Rice» [2006] e «Swans» [2011], o cinema de Hugo Vieira da Silva progride para uma dimensão mais simbólica. No meio de uma força plástica relevante, surge a habitual carga coreográfica e jogo de corpos. Os atores Ivo Alexandre (bela surpresa) e Nuno Lopes são atirados para um transe que às vezes parece improvisado, sobretudo na relação com os corpos dos não-atores, em especial os figurantes angolanos.
Em boa verdade, o filme toca em temas tabu da colonização portuguesa, ainda que com um estrondo também universal. É sobre quem caça e é caçado. Depois, tira-nos o tapete e é também uma variação do filme de fantasmas. Tudo isto sem nunca trair a matéria literária do romance de Joseph Conrad.
«Posto-Avançado do Progresso» é para o espetador nunca ficar em zona confortável. Uma imensa proposta fora do baralho...

Rui Pedro Tendinha em Berlim

HISTÓRIA
Dois oficiais coloniais portuguesas chegam a um remoto entreposto de marfim no Congo. Os seus imaculados uniformes brancos fazem deles corpos estranhos na selva e como “mundele ‘- fantasmas aos olhos dos nativos. Os dois oficiais têm como missão fazer o comércio fluir novamente após a morte do oficial do entreposto. No entanto, os trabalhadores contratados esforçam-se pouco para encontrar nova matéria-prima.

Realizador:
Hugo Vieira da Silva

Elenco:
Nuno Lopes
Ivo Alexandre
David Caracol
Inês Helena

Portugal, 2016

121 min

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