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Actualizado às 10:34 PM, Sep 15, 2019

«Porquê Ele» com James Franco e Bryan Cranston

Durante as férias, Ned (Bryan Cranston), um pai dedicado mas superprotetor e a sua família visitam a filha em Stanford, onde ele conhece o seu maior pesadelo: o namorado bilionário bem-intencionado mas socialmente estranho de Silicon Valley, Laird (James Franco). Desenvolve-se uma rivalidade e o nível de pânico de Ned dispara quando ele se encontra num glamoroso ambiente high-tech, e descobre que Laird estás prestes a fazer o pedido de casamento.

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PORQUÊ ELE? - trailer

Durante as férias, Ned (Bryan Cranston), um pai dedicado mas superprotetor e a sua família visitam a filha em Stanford, onde ele conhece o seu maior pesadelo: o bem-intencionado mas socialmente estranho bilionário de Silicon Valley, Laird (James Franco). O certinho Ned pensa que Laird, que não tem quaisquer filtros, é uma péssima escolha para a sua filha. A rivalidade unilateral e o nível de pânico de Ned dispara quando ele se encontra num glamoroso ambiente high-tech, e descobre que Laird estás prestes a fazer o pedido de casamento.

Realizador: John Hamburg
Produtores: Shawn Levy, Ben Stiller, Jonah Hill, Dan Levine
Argumento de: John Hamburg & Ian Helfer
História de: Jonah Hill e John Hamburg & Ian Helfer
Elenco: James Franco, Bryan Cranston

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Rainha do Deserto

Face aos resultados desequilibrados, mas ao mesmo tempo muito motivadores, de «Rainha do Deserto», não podemos deixar de recordar que a obra do alemão Werner Herzog sempre evoluiu “condicionada” por duas componentes muito particulares: em primeiro lugar, um obstinado gosto documental que o leva, por vezes, a enfrentar desafios de fascinante radicalismo (lembremos o seu documentário «A Gruta dos Sonhos Perdidos», lançado em 2012, sobre as grutas Chauvet no sul de França); depois, o envolvimento em projectos de ficção que implicam invulgares meios humanos e logísticos (sendo «Fitzcarraldo», de 1982, sobre a construção de um teatro de ópera no meio da selva, o exemplo mais emblemático).

«Rainha do Deserto» nasce dessa mesma dinâmica. Trata-se de fazer o retrato de Gertrud Bell (1868-1926), arqueóloga inglesa que acabou por ter um papel decisivo nas políticas do Império Britânico entre os dois conflitos mundiais, em particular na constituição da Jordânia e do Iraque. É fácil compreender tudo aquilo que seduziu Herzog. Afinal de contas, para além da sua condição de mulher a afirmar-se num mundo quase totalmente ocupado e gerido por personagens masculinas, Bell foi também alguém que viveu directamente, por vezes com risco da própria vida, um tempo em que todos os mapas — geográficos, diplomáticos e simbólicos — foram reconvertidos de modo mais ou menos radical.

Centrado numa bela composição de Nicole Kidman, o «Rainha do Deserto» é claramente desigual na prestação dos seus actores; Robert Pattison, em particular, tem evidentes dificuldades em sustentar a personagem de T. E. Lawrence — e escusado será dizer que a comparação com Peter O’Toole, em «Lawrence da Arábia» (1962), está longe de o favorecer...

Além do mais, o filme parece ressentir-se daquilo que terá sido a “aceleração” da própria rodagem (e sabe-se que houve problemas vários na organização da sua produção). São especialmente débeis as cenas de ligação dos vários capítulos, em particular no modo como nos dão a ver o contexto paisagístico da acção (e não será arriscado supor que tal seria um elemento fundamental na mise en scène de Herzog). Ao mesmo tempo, «Rainha do Deserto» faz-nos aceder a um labirinto de personagens e culturas do Médio Oriente que importa contemplar para além de qualquer cliché mediático (e, em particular, televisivo). Nesta perspectiva, o filme consegue mesmo a proeza de nos levar a pressentir que muitas das convulsões do nosso presente têm as suas raízes na época em que Gertrud Bell foi uma tão especial protagonista.

tres estrelas

Título Nacional Rainha do Deserto Título Original Queen of the Desert Realizador Werner Herzog Actores Nicole Kidman, James Franco, Robert Pattinson Origem Estados Unidos/Marrocos Duração 128’ Ano 2015

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº39)

Rainha do Deserto

A vida de Gertrude Bell, a mulher que nos anos 20 teve um papel instrumental na forma como o Médio Oriente ficou dividido, não deu um bom filme. O argumento de Herzog explora a sua juventude e o primeiro desgosto amoroso, uma paixão proibida por um homem de baixa condição social. Mais tarde, Bell tornou-se escritora, arqueóloga e aventureira, tendo mantido com o povo beduíno uma relação privilegiada. Nicole Kidman, de cabelo dourado e sempre muito maquilhada, passeia-se de camelo pelo deserto em pose de diva mas nunca nos dá a conhecer a verdadeira alma de uma mulher que acabou por ser agente secreta da coroa britânica e amiga pessoal de T.E. Lawrence (interpretado sem genica alguma por Robert Pattinson), exatamente Lawrence da Arábia. Mas se é verdade que o cineasta alemão quis fazer a sua “versão feminina de Lawrence da Arábia”, também é verdade que a espessura épica de David Lean não é para aqui chamada. O que é infelizmente convocado é um academismo insuportável, próprio de uma lição de História decorativa. Todo o filme parece demasiado polido, carece da habitual excentricidade de Herzog, que aqui em Berlim referiu que este seu trabalho pode ser visto como um gesto feminista. Claro que não pode. Não basta filmar uma heroína a suar no deserto para ganhar um carimbo feminista...Também sem sal estão os homens do filme: Damian Lewis e o omnipresente James Franco, a interpretar os dois homens que Gertrude amou. A pior obra da carreira do grande cineasta alemão.

Queen of the Desert de Werner Herzog

Rui Pedro Tendinha em Berlim

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 27

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