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Actualizado às 11:21 PM, Dec 4, 2019

Posto Avançado do Progresso

Foi a boa supresa do Forum. Um filme fora da caixa que confirma Hugo Vieira da Silva como um das vozes mais bizarras e insanas do novo cinema português. Depois de «Body Rice» [2006] e «Swans» [2011], o cinema de Hugo Vieira da Silva progride para uma dimensão mais simbólica. No meio de uma força plástica relevante, surge a habitual carga coreográfica e jogo de corpos. Os atores Ivo Alexandre (bela surpresa) e Nuno Lopes são atirados para um transe que às vezes parece improvisado, sobretudo na relação com os corpos dos não-atores, em especial os figurantes angolanos.
Em boa verdade, o filme toca em temas tabu da colonização portuguesa, ainda que com um estrondo também universal. É sobre quem caça e é caçado. Depois, tira-nos o tapete e é também uma variação do filme de fantasmas. Tudo isto sem nunca trair a matéria literária do romance de Joseph Conrad.
«Posto-Avançado do Progresso» é para o espetador nunca ficar em zona confortável. Uma imensa proposta fora do baralho...

Rui Pedro Tendinha em Berlim

HISTÓRIA
Dois oficiais coloniais portuguesas chegam a um remoto entreposto de marfim no Congo. Os seus imaculados uniformes brancos fazem deles corpos estranhos na selva e como “mundele ‘- fantasmas aos olhos dos nativos. Os dois oficiais têm como missão fazer o comércio fluir novamente após a morte do oficial do entreposto. No entanto, os trabalhadores contratados esforçam-se pouco para encontrar nova matéria-prima.

Realizador:
Hugo Vieira da Silva

Elenco:
Nuno Lopes
Ivo Alexandre
David Caracol
Inês Helena

Portugal, 2016

121 min

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