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Actualizado às 9:47 PM, Feb 18, 2019

«A Favorita»

Cruel, violento, perverso. Estes são alguns dos adjectivos que habitualmente caracterizam o cinema de Yorgos Lanthimos. «A Favorita», que em muitos aspectos se demarca da restante obra do realizador grego, não será aqui, contudo, diferente. Mas devemos também acrescentar belo, sensual, exuberante... O filme parece reclamar de nós um discurso passional que reflita uma primeira reacção puramente emocional, assente nos sentidos. Só muito mais tarde, talvez numa segunda visita, é que a razão é chamada a dar o seu contributo para o veredicto final: obra-prima!

Ambientado na Inglaterra do século XVIII, «A Favorita» passa-se quase na totalidade dentro dos aposentos da Rainha Ana (Olivia Colman), uma monarca pouco conhecida, até pelos historiadores. Disse-se dela que era ignorante e medrosa. Constantemente grávida (terá tido 17 crianças; morreram todas) e acometida por terríveis crises de gota que a deixavam imobilizada durante dias, a atenção da Rainha era muito disputada na corte. Dentre todos os que procuravam exercer a sua influência, ninguém como Sarah (Rachel Weisz), duquesa de Marlborough, esteve mais próxima de o conseguir. Isto até que Abigail Hill (Emma Stone) entra em cena.

Inspirado em factos reais, o argumento de «A Favorita» (da autoria de Deborah Davis e Tony McNamara) não é o típico drama palaciano. Isto é, não faltam intrigas, traições, jogos de sedução e de poder, mas, acima de tudo, está a verdade das personagens a que o filme dá vida. As três protagonistas, Colman, Weisz e Stone, fazem um trabalho absolutamente extraordinário ao driblar as muitas “armadilhas” plantadas por Lanthimos no caminho da verosimilhança. Ele, que pela primeira vez não conta com o seu habitual co-argumentista, Efhymis Filippou, revela uma faceta mais terna que os espectadores não estavam habituados a ver nos seus filmes. É como se de repente a luz natural (mais uma novidade) iluminasse as personagens, mostrando-as na sua totalidade, na sua humanidade.

«A Favorita» é também o filme onde Lanthimos vai mais longe na experimentação formal. A distorção óptica causada pelo uso de uma lente grande-angular (“olho-de-peixe”) ou da câmara-lenta resultam na criação de um universo onírico que se funde com uma distintiva marca documental. O efeito é verdadeiramente estranho. Às vezes absurdo, cómico, mas nunca falso.

Marcando a afirmação internacional de Lanthimos, «A Favorita» lidera a corrida à 91.ª edição dos Oscars com 10 nomeações, incluindo as categorias de Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Argumento e Melhor Atriz.

«A Favorita» de Yorgos Lanthimos

Yorgos Lanthimos é um cineasta invulgar e as suas obras falam por si. Com narrativas cheias de twists e muito intrincadas, Lanthimos é um dos novos nomes que têm conquistado cada vez mais atenção. O realizador grego começou por surpreender com «A Lagosta», uma obra com uma premissa simples na essência mas complexa no seu desenvolvimento, com uma dupla de atores à altura, composta por Colin Farrell e Rachel Weisz. O filme foi muito elogiado e recebeu uma nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original.

Lanthimos volta a trabalhar com Rachel Weisz, vencedora do Óscar de Melhor Atriz Secundária por «O Fiel Jardineiro» (2005), nesta nova obra, mas conta agora também com Olivia Colman, que, além da rainha Anne que interpreta neste filme, será a próxima rainha da série televisiva «The Crown». O trio de protagonistas completa-se com Emma Stone, uma das principais atrizes da nova geração do Cinema norte-americano, recentemente galardoada com o Óscar de Melhor Atriz Principal por «La La Land: Melodia de Amor» (2016).

Este é um projeto que tem vindo a ser trabalhado por Lanthimos há vários anos. Aliás, antes mesmo de «A Lagosta» e «O Sacrifício de Um Cervo Sagrado», sendo a sua primeira obra em que não assina o argumento desde 2001, algo que regularmente divide com Efthimis Filippou.

«The Favourite» foca-se numa história de ambição e intriga, passando-se na corte inglesa. Trata-se de um palco perfeito para três atrizes em que o talento não falta, fazendo deste um dos filmes que têm chamado a atenção da crítica. A obra teve estreia mundial no Festival de Cinema de Veneza, onde foi galardoada com dois prémios: Leão de Prata - Grande Prémio do Júri e Coppa Volpi para Melhor Atriz, entregue a Olivia Colman.

HISTÓRIA
Na Inglaterra do século XVIII, a rainha Anne (Olivia Colman) ocupa o trono mas é a sua amiga, Sarah Churchill (Rachel Weisz), quem acaba por governar. Contudo, o seu posto é ameaçado com a chegada de Abigail (Emma Stone), uma nova criada.

Realizador: Yorgos Lanthimos («A Lagosta», 2015; «O Sacrifício de Um Cervo Sagrado», 2017)

Elenco: Olivia Colman, Rachel Weisz, Emma Stone

  • Publicado em Feature

Battle of the Sexes - antevisão

O ténis é um desporto intenso que leva os seus jogadores ao limite e já foi alvo de algumas representações cinematográficas, como no memorável «Match Point» (2005), de Woody Allen, onde a história era completamente ficcionada. Desta vez, porém, recorre-se a um evento bastante real: a 20 de setembro de 1973, em Houston (Texas), acontece um jogo único, uma verdadeira batalha dos sexos entre duas figuras marcantes do ténis: Bobby Riggs, um veterano jogador de 55 anos, contra Billie Jean King, com 29 anos. Na época, Riggs afirmou que o jogo feminino era inferior e que poderia vencer qualquer uma das principais tenistas. Começou por desafiar e vencer Margaret Court, instigando depois Billie Jean King, que liderava o top feminino, para um jogo a ser transmitido na televisão com um prémio de 100 mil dólares. O evento desportivo já foi alvo, em 2013, de um documentário com o mesmo nome, realizado por James Erskine e Zara Hayes.

A história também chamou a atenção de Jonathan Dayton e Valerie Faris, a mesma dupla responsável pelo sucesso «Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos» (2006), que recebeu o Óscar de Melhor Argumento Original e lançou para a ribalta Steve Carell, que volta agora a trabalhar com os realizadores. Desde essa altura, o ator tem alternando a sua carreira entre papéis mais cómicos mas também com algum espaço para o drama, o que já lhe rendeu a nomeação para o Óscar de Melhor Ator Principal por «Foxcatcher» (2014). Emma Stone, que venceu recentemente o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical por «La La Land: Melodia de Amor», é a protagonista, reencontrando Carell após terem trabalhado juntos em «Amor, Estúpido e Louco» (2011). O argumento está a cargo de Simon Beaufoy, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Adaptado por «Quem Quer Ser Bilionário?» (2008). Dois atores com química já comprovada e um talento inegável numa batalha entre sexos que fez, literalmente, História: trata-se, sem dúvida, de um filme que promete.

História: O filme conta a história verídica de um jogo mítico de ténis em 1973 entre a número um da altura, Bille Jean King (Emma Stone) e o antigo campeão, Bobby Riggs (Steve Carell).

Realizadores: Jonathan Dayton e Valerie Faris («Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos», 2006; «Ruby Sparks - Uma Mulher de Sonho», 2012)
Elenco: Emma Stone, Steve Carell, Sarah Silverman
Estreia a 22 de Setembro (EUA)

  • Publicado em Videos

La La Land - crítica

Feito por um sonhador para todos os sonhadores, «La La Land: Melodia de Amor» é uma explosão de cores, música e momentos arrebatadores. Damien Chazelle não procura recuperar o musical ou reinventá-lo mas, sobretudo, pretende homenageá-lo nas suas várias vertentes, atribuindo-lhe um ar contemporâneo mas não menos mágico. A história, na sua essência, é simples e pouco ambiciosa, é certo, mas funciona pela forma como é contada. Assim, ficamos a conhecer Sebastian (Ryan Gosling), um pianista jazz à antiga que procura abrir o seu próprio espaço para que o jazz corra puro e sem amarras, e Mia (Emma Stone), uma jovem aspirante a atriz que luta o quanto pode para que alguém a veja no meio da multidão.

Se havia alguma dúvida de que Damien Chazelle era dono de um grande talento após o intenso «Whiplash – Nos Limites» (2014), «La La Land: Melodia de Amor» anula quaisquer reticências acerca do jovem cineasta norte-americano. Como às tantas diz Mia, “as pessoas adoram aquilo que as outras pessoas adoram”, e parece que foi assim que Chazelle nos apanhou na curva, já que nota-se claramente o quanto o cineasta é um fervoroso fã do musical e do jazz, cativando-nos inevitavelmente. No entanto, e como se trata de um musical, o filme resulta de um trabalho multidisciplinar, que vai acertando em vários aspetos: banda-sonora esplendorosa de Justin Hurwitz, que nos cativa à primeira batida, edição cheia de ritmo de Tom Cross e uma Fotografia onírica e inspirada de Linus Sandgren.

Todavia, nada disto resultaria se os protagonistas também não conquistassem. Emma Stone e Ryan Gosling já haviam trabalhado juntos e, em «La La Land: Melodia de Amor», a sua química volta a provar ser inatacável. Stone é absolutamente radiosa e Gosling mostra que tem timing afinado para a comédia, como já o havia feito, aliás, em «Bons Rapazes» (2016). Os dois atores não são dançarinos ou cantores profissionais, o que dá um ar mais prosaico ao filme e não atrapalha o resultado final.

«La La Land: Melodia de Amor» é um musical dos tempos modernos, num pot-pourri de referências cinematográficas mas que também cria novos momentos cheios de impacto – a abertura do filme é só um dos exemplos, marcando o ritmo desde o início para o resto da obra. Doce e amargo, o filme explora a dimensão do sonho e o confronto duro com a realidade, numa história que poder-se-ia passar noutro sítio qualquer, noutra época qualquer, com outros sonhadores. Com as emoções à flor da pele e música contagiante como pano de fundo, «La La Land: Melodia de Amor» é um triunfo.

cinco estrelas

Título Nacional La La Land: Melodia de Amor Título Original La La Land Realizador Damien Chazelle Actores Ryan Gosling, Emma Stone, Rosemarie DeWitt Origem Estados Unidos Duração 128’ Ano 2016

La La Land

«Whiplash- Nos Limites», de Damien Chazelle, chegou ao Festival Sundance há dois anos e caiu no goto de toda gente. No seu segundo filme, o jovem realizador chega ao píncaros do consenso. «La La Land» é o filme mais eufórico e belo do cinema americano em muitos anos. Uma pura e inocente homenagem ao género musical que nos conta a história de amor entre um pianista de jazz e uma aspirante a atriz na Los Angeles contemporânea. Emma Stone e Ryan Gosling dançam, cantam e voam numa cidade de sonhos que tantos nos lembra «Do Fundo do Coração», de Francis Ford Coppola, ou o cinema de Jacques Demy, nomeadamente «Os Chapéus de Chuva de Cherburgo». É uma parábola sobre a música que faz girar o mundo, pedindo ao espetado0r apenas uma coisa: que abrace esta exuberância mágica com fé e sem cinismo. «La La Land» é mesmo para os românticos e “para os tolos que choram”, como alguém disse no festival. Estreia em Portugal em janeiro e vai fazer com que os portugueses comecem a sorrir mais...

La La Land - Antevisão

São muitos os motivos para ver «La La Land». Comecemos pelo realizador, Damien Chazelle, que fez verdadeira magia com um pequeno filme que ganhou contornos de ouro, «Whiplash – Nos Limites» (2014). Começou por estrear no Festival de Cinema de Sundance, passando depois por muitos outros, destacando-se a presença em Cannes e Toronto. Mas a verdadeira surpresa chegou com os Óscares, em que o filme venceu três estatuetas douradas, incluindo o de Melhor Ator Secundário para J.K. Simmons. Portanto, agora a pressão é muita para o jovem realizador norte-americano de 31 anos, que se lança num projeto bem mais ambicioso mas, mais uma vez, com a música como pano de fundo, naquele que é o seu terceiro filme.

Tal como o nome faz alusão, «La La Land» passase em Los Angeles e trata-se de um musical, na linha dos grandes musicais da MGM, segundo o realizador. Para esta empreitada, Chazelle aposta muito nos atores, garantindo uma nova parceria da dupla Ryan Gosling e Emma Stone, que já contracenaram com sucesso em «Amor, Estúpido e Louco» (2011) e «Força Anti-Crime» (2013). Os dois substituem Milles Teller e Emma Watson, que seriam, numa fase inicial do projeto, os protagonistas.

O argumento de «La La Land», da autoria de Chazelle, tem já alguns anos e remonta à altura em que o cineasta era um jovem artista e procurava encontrar o seu caminho profissional. O filme tinha estreia prevista para este verão, mas acabou por ser adiado para dezembro, a piscar o olho aos prémios, o que mostra a aposta da Lionsgate na obra. «La La Land» foi o filme de abertura do Festival de Cinema de Veneza, sendo que, nos últimos anos, «Gravidade» (2013) e «Birdman» (2014) abriram o Festival e venceram o Óscar de Melhor Filme, sendo que «O Caso Spotlight», o último vencedor nessa categoria, teve a sua estreia nesse Festival. «La La Land» encaminha-se para que um musical volte a brilhar em toda a sua plenitude.

HISTÓRIA
Sebastian (Ryan Gosling), um pianista, e Mia (Emma Stone), uma aspirante a atriz, apaixonam-se, tendo como palco a cidade de Los Angeles.
REALIZADOR:
DAMIEN CHAZELLE («Whiplash - Nos Limites»,
2014)
ELENCO:
EMMA STONE, RYAN GOSLING, J. K. SIMMONS, JOHN LEGEND
DATA DE ESTREIA PREVISTA:
26 DE JANEIRO 2017 (PORTUGAL)

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