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Actualizado às 10:34 PM, Sep 15, 2019

«Capitão Marvel» - crítica

Uma vez ou outra, a Marvel volta-se para o espaço para se oxigenar e fugir das convenções e das lutas entre superpoderosos. Mesmo prejudicado com um nó de argumento no primeiro terço, quando a fotografia de Ben Davis procura encontrar a luz precisa, «Capitão Marvel» impõe-se como uma vigorosa jornada de formação para a mais poderosa super-heroína da Disney e como um estandarte político para a batalha em prol do empoderamento feminino. Vencedora do Oscar por «Quarto», em 2016, Brianne Sidonie Desaulniers, ou apenas Brie Larson, usa todo o arsenal gestual que tem para injetar humor, luta e poesia a uma mulher cuja memória foi triturada por via de uma abdução pela raça alienígena Kree. Com uma figura tridimensional nas suas mãos, a cineasta Anna Boden (de «É Uma Espécie de... Comédia») e seu codiretor Ryan Kenneth Fleck (do filmaço «Half Nelson: Encurralados») investem num formato de aventura estelar semelhante à estética pop usada nos quadrinhos marvetes dos anos 1970. A direção segue os moldes de que o genial Roy Thomas, o pai da protagonista, idealizou, por exemplo, em “Warlock” e outras bandas-desenhadas de batalhas de super-heróis com ETs, nos confins da galáxia. É um momento fundamental da edificação da cultura pop, em que a indústria de comics criou a centelha narrativa lisérgica do que viria a ser “Star Wars” e outras franquias. Mas há um tempero mediático a mais na direção: como a trama se ambienta na década de 1990, e tem elementos de espionagem, com a participação fundamental da agência de inteligência Shield, Anna e Fleck travaram um diálogo com toda a linhagem de filmes teen de espiões daqueles anos. E houve muita trama nesse modo de 1992 a 1996 - tipo «Hackers», de Ian Softley, e «Heróis Por Acaso», de Phil Alden Robinson – que servem de referência à luta da Capitão Carol Denvers (Brie) para entender por que motivos foi parar entre as estrelas, para ser treinada pelo Kree Yon-Rogg (Jude Law, impecável na criação de um guerreiro dúbio) a fim de combater a raça de transmorfos chamada Skurlls. Quem lê a Marvel desde criança, odeia os Skrull sobre todas as coisas. Mas algo de novo acontece com esse povo neste filme, assente no carisma de Samuel L. Jackson (em estado de graça na pele do jovem Nick Fury, futuro líder da Shield) e da revelação Lashana Lynch, que vive a aviadora Maria Rambeau, amiga da Capitão. A atuação de Lashana por vezes ofusca Brie.

tres estrelas

crítica publicada na Revista Metropolis nº 67

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