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Actualizado às 11:21 PM, Dec 4, 2019

10 Cloverfield Lane

Quase uma década se passou desde que o monstro de «Nome de Código: Cloverfield» assombrou o planisfério cinéfilo, com uma facturação global de US$ 170 milhões alimentado pela originalidade de sua narrativa semidocumental, com pele de reality show. O seu êxito ajudou a projetar J. J. Abrams também como produtor, consagrando seu faro para a oportunidade em um momento histórico no qual a estética do real parecia inovadora como um acréscimo para a ficção. Uma leva de longas de terror veio nessa toada, em especial «[Rec]» (2007), da Espanha. Mas o dispositivo que Abrams confiou à direção de Matt Reeves deu sinal de desgaste, cansando-se pela banalização. Atento à mudança, o realizador de «Star Wars: O Despertar da Força» (2015) percebeu que deveria arriscar uma outra penugem se quisesse liberar o pássaro dos lucros da gaiola na qual enjaulou aquele experimento. Em vez de fazer um Big Brother das trevas, seria mais impactante realizar um ensaio sobre paranoia. Eis: «10 Cloverfield Lane».

Sob a direção de Dan Trachtenberg, realizador do curta-metragem «Portal: No Espace», de 2011, a longa-metragem é uma aula de claustrofobia física e moral, expressa a partir do confinamento de personagens acossados pelos males da alma humana. É tarefa de Mary Elizabeth Winstead (da série «The Returned») dar vida (e algo de novo) ao arquétipo da heroína passiva típica do género horror. Ela é Michelle, jovem abalada pelo fim de um namoro que, após um acidente de carro, encontra-se presa em um bunker com dois sujeitos que oscilam entre a fofura extrema e a loucura mais letal: Emmett (John Gallagher Jr.) e Howard, vivido por um John Goodman no ápice da potência dramática.

Diz a dupla que Michelle não pode sair pois, lá fora, uma hecatombe química pode levar a Humanidade à ruína. A tragédia está ligada à existência do monstro de « Nome de Código: Cloverfield». Mas pouco importa se é verdade ou não, para ela e para nós. O interesse maior é o clima de desconfiança e traição que corre na tela num fluxo crescente de temperatura e pressão. É uma lição de suspense, amparada pelo talento de um elenco em plena afinação. A câmara, hitchcockiana, sugere, mas não escancara. Tudo se dá na base da sugestão, da discrição, numa potência visual expressa a partir de uma luz bruxuleada. Abrams acertou de novo. 

cinco estrelas

Título Nacional 10 Cloverfield Lane Título Original 10 Cloverfield Lane Realizador Dan Trachtenberg Actores John Goodman, Mary Elizabeth Winstead, John Gallagher Jr. Origem Estados Unidos Duração 103’ Ano 2016 

(Publicado originalmente na Metropolis nº37)

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