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Actualizado às 11:37 PM, Mar 18, 2019

Joy

A impressão que nos fica depois de ver «Joy» é a de algo pouco coeso e que nunca chega a deslumbrar por completo. O filme dá-nos a conhecer a história de Joy Mangano (Jennifer Lawrence), uma mulher lutadora que superou inúmeros obstáculos para conseguir provar a força do seu talento. Dona de uma criatividade ímpar, Joy construiu nos anos 1990 um império milionário em torno de uma ideia inovadora para uma esfregona (a famosa “Miracle Mop”). Mas este sucesso, como fica bem claro no filme, não foi instantâneo. A começar pelo peso excessivo das responsabilidades familiares, os problemas financeiros, mas, sobretudo, a falta de confiança em si própria foram várias as barreiras que Joy teve de ultrapassar para chegar ao seu objetivo.

Assistir ao crescimento da personagem, à mudança de atitude para consigo mesma acabam por ser os aspetos mais interessantes do argumento, mas tudo o resto se dissipa. Joy é o centro da ação, as personagens secundárias apenas orbitam à sua volta, não acrescentando muito ao cômputo geral. E é neste sentido que vemos algum talento desperdiçado, como acontece com Bradley Cooper e Robert DeNiro.

Este filme quer ser mais do que a simples história de Joy, quer falar de um conjunto de mulheres corajosas e inspiradoras – uma delas a própria Jennifer Lawrence, segundo palavras do argumentista e realizador da obra, David O. Russell. Contudo, neste filme, O. Russell sai-se muito melhor no papel de realizador, conseguindo belos momentos, com enquadramentos criativos e engenhosos, que engrandecem o talento da protagonista. Já o argumento causa alguma desilusão, até porque sabemos do especial trato que O. Russell habitualmente consegue dar às emoções, como no formidável «Guia para um Final Feliz» (2012). «Joy» também é feito de emoções, mas estas não tiveram a merecida atenção.

Jennifer Lawrence é uma atriz em estado de graça e, por vezes, até sentimos que ainda não vimos o melhor dela, conseguindo neste novo filme um desempenho irrepreensível e exemplar. É por ela que o filme se salva, pelas suas nuances dramáticas, pela forma como se entrega à personagem e, sobretudo, pela forma como a entende. Lawrence consegue perceber o âmago das suas personagens como poucos, o que faz com que a atriz consiga arrancar o melhor que elas têm para dar.

A obra assenta numa história de alguém profundamente inspirador. «Joy» vale pela sua protagonista e pela singularidade da história que conta, mas contávamos sair com mais algum rejúbilo da sala de cinema...

Título Nacional
Joy
Título Original
Joy
REALIZADOR
David O. Russell
ACTORES
Jennifer Lawrence
Robert De Niro
Bradley Cooper
ORIGEM
Estados Unidos
DURAÇÃO
124’
ANO
2015

Estrelas: 3

Mídia

Modificado emsexta, 30 dezembro 2016 00:12
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