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Actualizado às 11:14 PM, Nov 22, 2017

Quarto

Conhecemos o realizador irlandês Lenny Abrahamson através de Frank (2014), filme cuja personagem central, interpretada por Michael Fassbender, tinha a particularidade de “enfrentar” o mundo à sua volta usando uma enorme cabeça de cartão... Em qualquer caso, nem mesmo a fascinante estranheza desse filme nos terá preparado para a beleza, terrível e convulsiva, deste Quarto (Room no original, baseado no romance de Emma Donoghue, também responsável pelo argumento).

Este é um daqueles casos em que, mais do que nunca, importa respeitar o direito do leitor/espectador descobrir o filme sem receber excessiva informação sobre aquilo que vai ver — de facto, uma coisa é apresentar um filme, outra é “explicá-lo” como se se reduzisse a peripécias mais ou menos lineares.
Digamos, então, para simplificar, que esta é a história de dois seres que vivem em clausura: Jack (Jacob Tremblay) foi educado pela mãe (Brie Larson) a entender o seu quarto, não como uma divisão de uma casa, mas sim o mundo todo — não se trata de um quarto, mas de “Quarto”, como se fosse uma cidade ou um país.
Questão eminentemente cinematográfica: como expor um espaço claustrofóbico onde, em todo o caso, se vive uma vida de inusitada complexidade e energia? Mais do que isso: caso seja possível sair desse “Quarto”, como dar a ver o exterior que, afinal, para o olhar de Jack, não é o complemento físico da sua existência anterior, mas uma verdadeira galáxia, povoada de seres e significados que ele não sabe como interpretar?
É raro um objecto de cinema conseguir retomar o mais ancestral dos temas — o amor de uma mãe pelo filho — para arquitectar uma narrativa tão delicada, capaz de nos confrontar com a vulnerabilidade primordial da dimensão humana. Daí que Quarto seja, ao mesmo tempo, uma viagem fantástica e o mais realista dos filmes, uma história de radical intimismo e uma fábula contemporânea sobre a omnipresença do Mal e o desejo do Bem.
Simplificando ainda mais, acrescentemos que nada disto poderia acontecer sem uma “mise en scène” apoiada numa admirável direcção de actores. Ou ainda: Brie Larson vai ganhar o Oscar.

REALIZAÇÃO
Lenny Abrahamson

ACTORES
Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers, Wendy Crewson, Amanda Brugel

Duração: 118 min.

2015, Irlanda/Canadá

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Mídia

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