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Actualizado às 10:16 PM, Dec 11, 2019

Hrútar

É comum à cena dos grandes festivais da Europa esperar (com apetite antropológica) exotismos de continentes como a Ásia e a África. Mas este ano, o filme mais exótico (sobre a cultura menos familiar) veio do próprio Velho Mundo, da gelada Islândia, trazida pelo diretor Grímur Hákonarson («Sommerland»). Prêmio de melhor filme da mostra Um Certain Regard de 2015, «Hrútar» (no original) venceu por propor uma conciliação quase poética entre animais quadrúpedes e bípedes com cérebro pensante, numa perspectiva ecológica e metafórica. A metáfora maior é a da tolerância, coisa que mamíferos como os carneiros do título em inglês professam e os homens e mulheres, não. Na trama, com rasgos de humor, dois velhos, irmãos de sangue, odeiam-se há 40 anos. Em comum, eles têm apenas o cuidado com seus bichinhos chifrudos e cheios de lã. Mas quando o Estado baixa uma lei de que os rebanhos caprinos, maculados por uma doença, precisam ser abatidos, os dois antagonistas terão que se unir, rendendo cenas de arrancar lágrimas.

Rodrigo Fonseca em Cannes

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 29

Modificado emsexta, 13 maio 2016 22:10

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