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Actualizado às 11:37 PM, Nov 4, 2019

Valley of Love

A mera junção de dois titãs do cinema da França – Isabelle Huppert e Gérard Depardieu – já seria, por si só, suficiente para fazer do novo trabalho de Guillaume Nicloux («A Religiosa») um filme-evento. Mas o virtuosismo do filme se resume à fotografia de Christophe Offenstein, nas escaldantes paisagens da Califórnia. De resto, é tudo pesquisa: pesquisa de linguagem, pesquisa de dois corpos que se desmitificam, pesquisa sensorial na música e na edição de som de Pierre Choukroun. Ao falar de um ex-casal atomizado pela perda do filho já adulto, que se matou e deixou como pedido a reaproximação dos pais, Nicloux abre mão de todas as seguranças que um elenco monumental poderia lhe dar e se permite o direito do erro, do improviso, da investigação, buscando alimentar a tradição do melodrama a partir de tintas místicas (ou quase).

Rodrigo Fonseca em Cannes

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 27

Modificado emsexta, 13 maio 2016 22:14

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