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Actualizado às 11:13 AM, Oct 23, 2019

Snoopy e Charlie Brown: Peanuts - O Filme

Foi em 1950 que Charles M. Schultz (1922-2000) lançou as primeiras histórias desenhadas dos Peanuts. E não se pode dizer que, pelo menos no plano quantitativo, o seu eco cinematográfico seja muito significativo. Na verdade, este filme lançado no período natalício (título original: «The Peanuts Movie») é apenas o quinto da filmografia dos Peanuts, tendo sido o primeiro, «Um Rapaz Chamado Charlie Brown», produzido apenas em 1969; em qualquer caso, no contexto televisivo, Charlie Brown e a sua “troupe” surgiram em mais de quatro dezenas de especiais.

Seja como for, a raridade cinematográfica dos Peanuts é muito significativa. De quê? Da dificuldade de transpor para as imagens animadas um universo que, além de possuir uma genuína dimensão filosófica, apela a um desenho sóbrio e contemplativo, mais do que à acumulação de cenas de “acção” mais ou menos trepidante.

Dir-se-ia, de facto, que não é possível libertar os Peanuts (sob pena de os descaracterizar) desse misto de serenidade e inquietação, crueza e simbolismo, que fazia (e faz) o fascínio das tirinhas desenhadas por Schultz. Mais do que isso: a controlada brevidade dessa tirinhas faz com que os Peanuts sejam menos um universo de histórias com princípio, meio & fim, e mais uma colecção de vinhetas em que, desde o sentido da vida até aos impulsos festivos de Snoopy, tudo pode ser condensado em três ou quatro desenhos austeros.


Daí, uma vez mais, a sensação de celebração, mas também de frustração, com que este “movie” nos envolve. Porventura avisados dos impasses encontrados em experiências anteriores, os criadores tentam dinamizar os acontecimentos através de cenas mais ou menos delirantes, desencadeadas pela imaginação de Snoopy... O certo é que, apesar de tudo, são os momentos de contemplação e recolhimento que mais nos mobilizam.

Estrelas: 2


Título ORIGInal
The Peanuts Movie
REALIZADOR
Jacques Audiard
VOZES
Noah Schnapp
Bill Melendez
ORIGEM
Estados Unidos
DURAÇÃO
88’
ANO
2015

Texto originalmente publicado na revista Metropolis nº 34

Modificado emquarta, 03 fevereiro 2016 23:01

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