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Actualizado às 10:22 PM, Nov 12, 2019

Ela é Mesmo... o Máximo

O motivo da “prostituta com coração de ouro” é um clássico, e os clássicos são, por princípio, intemporais. Mas a verdade é que tudo em «Ela É Mesmo... o Máximo!» parece ultrapassado – a começar, justamente, pelo retrato que o filme oferece das mulheres. O argumento original, escrito nos anos 90 do século passado por Bogdanovich e Louise Stratten, segue a fórmula habitual da screwball comedy, tantas vezes tentada pelo realizador ao longo da sua carreira, com diferentes graus de sucesso [«Que se Passa Doutor?» (1972), «Romance em Nova Iorque» (1981), «Ilegalmente Tua» (1988), «O Miar do Gato» (2003)].

Assente em coincidências bizarras e situações inusitadas, onde se cruzam maridos infiéis, detectives privados, prostitutas ingénuas e uma psicóloga muito neurótica (que graças à interpretação de Jennifer Aniston resulta, possivelmente, na única personagem com graça), «Ela É Mesmo... o Máximo!» passa-se nos bastidores de uma atribulada produção teatral da Broadway. Arnold (Owen Wilson) é o afamado encenador que dirige a acção. Ou será que não dirige?
Incapaz de resistir aos encantos do sexo oposto, Arnold vai acabar embrulhado num perigoso jogo de enganos e perseguições que terminam quase sempre, de forma redundante, com mulheres aos gritos encurraladas em vestiários minúsculos, casas de banho apertadas ou restaurantes apinhados...

É suposto acharmos graça a isto porque Owen Wilson empresta à personagem de um crápula o seu melhor ar de “cachorrinho abandonado” e Imogen Poots, que interpreta uma prostituta de nome “Izzy”, carrega bué no pretenso sotaque de Brooklyn. Bogdanovich cola tudo com uns cameos de gente famosa (Tarantino, entre eles) e uma citação-homenagem sobre esquilos roubada a um velho filme de Lubitsch («O Pecado de Cluny Brown») e espera que a coisa não desmorone. É claro que desmorona!


Se o caro leitor começa agora a estranhar o tom talvez excessivamente acintoso em relação a este pequeno filme é preciso esclarecer que se espera há décadas que Bogdanovich volte a realizar um filme digno de se colocar ao lado de «A Última Sessão» (1971). É evidente que esta expectativa (sempre gorada) não é muito justa. Não é nada justa. Um crítico inteligente e um cinéfilo sensível não fazem necessariamente um bom realizador. É pena. Talvez seja altura de nos conformarmos com isso.

duas estrelas

Realização: Peter Bogdanovich
Actores: Imogen Poots, Owen Wilson, Jennifer Aniston

 

 

Mídia

Modificado emquinta, 10 março 2016 13:04
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