logo

Entrar
Actualizado às 12:33 AM, Nov 18, 2019

«A Lavandaria» de Steven Soderbergh

Um ano depois de ter conquistado o Leão de Ouro com «Roma», a produtora Netflix ressurgiu no festival de Veneza com três produções na seleção principal. «A Lavandaria» de Steven Soderbergh era o que suscitava maior curiosidade, desde logo pelo elenco onde surgem Meryl Streep, Gary Oldman, Antonio Banderas e Sharon Stone. O filme aborda o célebre caso dos papéis do Panamá relativa à divulgação de 11 milhões de documentos confidenciais da sociedade de advogados Mossack Fonseca com informação sobre as aplicações de mais de 214 mil empresas em paraísos fiscais. A divulgação destes documentos na internet, em 2016, desencadeou um escândalo global revelando a identidade de muitas empresas e pessoas que fugiram aos impostos transferindo os rendimentos para empresas de fachada localizadas em offshores. Soderbergh adotou uma narrativa explicativa, semelhante à que vimos no filme «A Queda de Wall Street» (2007), de Adam McKay, sobre a crise financeira. Oldman e Banderas interpretam os advogados Jurgen Mossack e Ramon Fonseca num registo ironicamente didático e vão mostrando como se processa a transferência de capitais ou as complexidades processuais desta forma de enriquecimento. Paralelamente, seguimos o rasto do dinheiro sem cor, passando pela China, Estados Unidos, México e terminando no Caribe, onde descobrimos algumas personagens que utilizam expedientes ilegais para enriquecer. É uma comédia sombria que transforma uma procedimento financeiro imoral numa piada. É um filme televisivo de Soderbergh, no sentido em que o realizador optou por filmar muitas cenas em estúdio ou interiores, numa dimensão pouco cinematográfica.

[texto publicado na revista Metropolis nº71]

Mídia

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.