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Actualizado às 2:03 PM, Nov 16, 2019

«Coração Aberto» - crítica

Destaque «Coração Aberto» - crítica

Muitos dos 21 concorrentes à Palma de Ouro de 2018 desapontaram a crítica e o público, a começar do filme de abertura, «Todos Lo Saben», mas poucas sessões, mesmo a das longas-metragens mais controversas, tiveram uma rejeição similar a que «Un Couteau Dans Le Coeur» recebeu, com direito a debandada e vaias. Chamada de «Knife + Heart» em inglês, a produção francesa, sobre a cena porno gay da Paris dos anos 1970, caiu na antipatia do povo por soar sensacionalista e pedante, ao embarcar em uma elucubração filosófica sobre o desejo. Apesar disso e das vaias, a longa-metragem dirigida por Yann Gonzalez preserva uma potência narrativa ímpar. Entre os sites e jornais europeus orientados por temáticas homoafetivas, o trabalho de Yann - explícito, mas ainda assim emotivo – foi aclamado por desafiar tabus e celebrar uma ala da cultura cinematográfica sempre tratada de modo caricata: a seara pornográfica. Na trama, Vanessa Paradis (uma cantora famosa, com sazonal experiência como atriz) interpreta uma produtora de filmes adultos de meninos com meninos. Ela anda em crise pelo alcoolismo e pelo término de seu romance com a editora das suas longas (Kate Moran). Pelo meio dos conflitos internos, ela descobre que um assassino encapuçado está a matar os seus atores e amigos. O clima dessa história evoca cults de Brian De Palma («Vestida Para Matar», sobretudo) e de Dario Argento («Suspiria»).

[Texto publicado na Metropolis nº 60 de Junho 2018]

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