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Actualizado às 10:58 PM, May 15, 2019

Lucia Cheia de Graça

Destaque Lucia Cheia de Graça

É costume dizer-se que “para baixo, todos os santos ajudam”. Ora, esta expressão ganha um outro sentido no filme «Lucia Cheia de Graça». Nesta comédia ligeira, Lucia (Alba Rohrwacher) trabalha como topógrafa numa pequena cidade do interior de Itália e luta todos os dias com um sistema viciado e corrupto por conseguir um contrato de trabalho (ou simplesmente um biscate). Ao mesmo tempo, em casa, o namorado (Elio Germano) confessa-lhe que a traiu e a sua filha adolescente (Rosa Vannucci) parece afastar-se irremediavelmente dela.

De súbito, no meio do caos que é a sua vida, uma boa notícia: Lucia é convidada a realizar o levantamento topográfico de uma vasta região rural com vista à construção de um enorme empreendimento imobiliário chamado de “a onda”. Contudo, não é difícil perceber que este convite traz água no bico. Assim que Lucia inicia as marcações no terreno tornam-se claros os graves erros de mapeamento. Erros deliberados que ela deve ignorar que quiser manter o contrato. Há um qualquer problema, que não chega nunca a ser devidamente explicitado, mas que tornaria inviável a construção naquele lugar.

Mesmo encostada à parede, Lucia debate-se com a sua rigorosa ética profissional, com o seu instinto. Eis senão quando, a Virgem Maria (Hadas Yaron) lhe aparece em pessoa para reclamar o embargo da obra e exigir a edificação de uma igreja em seu lugar. Habituada a que lhe obedeçam sem pestanejar, a Virgem não vai reagir muito bem quando Lucia se recusa a interceder em Seu nome.

O filme vai brincando com vários clichés: a guerra dos sexos, a rebeldia na adolescência, a pequena corrupção dos poderes locais, a fé (ou a falta dela) em tempo de redes sociais, o idealismo ambiental, etc. Mas esta abordagem do tipo “toca-e-foge” resulta bastante fragmentada. Alba Rohrwacher, que oferece uma interpretação tão enérgica quanto sólida, acaba por ser a única razão que nos prende verdadeiramente ao filme.

* (crítica publicada na edição 68 da Revista Metropolis)

tres estrelas

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