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Actualizado às 8:54 PM, Jul 14, 2019

«Operação Fronteira»

Destaque «Operação Fronteira»

Lembram-se de «O Tesouro da Sierra Madre», de John Huston? «Operação Fronteira» não é um remake mas sim um cruzamento dos seus temas. Em vez de cowboys, temos soldados americanos num contexto moderno. Este foi o desafio inicial de Mark Boal que escreveu este guião para Kathryn Bigelow, cineasta que acabou por passar o projeto a J.C. Chandor depois de muitas outras encarnações. Aliás, o projeto chegou a ser da Paramount e meteu Will Smith e Mahershala Ali ao barulho.

A história narra as aventuras de cinco membros do exército americano que numa missão não oficial vão executar um perigoso barão da droga numa selva da América do Sul. Além de um “cachet” não oficial, estes cinco mercenários metem-se na missão pela promessa de levar a fortuna do cartel. O esconderijo do criminoso latino está forrado com notas que ultrapassam os 150 milhões de dólares. Depois de despacharem o homem o problema é sair de lá com os sacos de dinheiro...

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A partir da primeira meia-hora, a intriga dedica-se essencialmente às peripécias deste grupo em regressar a casa com a fortuna, incluindo um voo que se despenha em plenas montanhas dos Andes, crescente desconfiança entre eles e a forma como imaginam as suas vidas milionários.

«Triple Frontier» é o que se pode chamar de exemplo de novíssima geração de filme de ação. Cinema adulto e com densidade psicológica, mas sem nunca deixar de ser um espetáculo com uma escala grande, porventura uma das maiores apostas de sempre dos Netflix Originals.

O que é verdadeiramente imponente no trabalho de Chandor, além da caracterização psicológica destes soldados em perdição moral, é a forma como mistura ingredientes de um típico filme de Hollywood de aventuras com um discurso político que alude para o imperialismo americano quase terrorista. Em última instância, estes cinco mercenários matam e roubam num país da América do Sul supostamente a bem da guerra às drogas. Tal como em «Sicario» (sobretudo o primeiro), fica uma reflexão sobre os conflitos ideológicos da presença militar do exército americano em países desta região. Uma história com um longo passado e que aqui é relatada do lado do “bromance”. Se quisermos, este é um filme sobre bons amigos com armas.

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De lamentar apenas que Boal e Chandor não consigam no último terço serem mais subtis no processo do conto sobre a ganância humana. Mas «Operação Fronteira» tem os “timings” certos nas regras de filmar ação em contexto de guerra e selva. O diretor de fotografia Roman Yasnanov consegue tirar partido de uma sensação de estarmos reféns da imensa selva da América Latina – sente-se o gelo da serra dos Andes ou a humidade da floresta.

Tal como em «Quando tudo Está Perdido», Chandor assina outra peça de cinema físico e com um diálogo entusiasmante com a natureza, embora o que salte mais ao olho seja seja a forma como encena a degradação da natureza humana. E, já agora, com uma adrenalina que mexe connosco.

Não é a obra-prima de filme de guerra que poderia ser, mas é garantido que não há momentos mortos na intriga. Em boa verdade, era um filme que pedia a experiência de ser visto em sala.

[crítica originalmente publicada na Metropolis nº67]

tres estrelas

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