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Actualizado às 11:16 PM, Oct 20, 2019

«Todos Sabem» de Asghar Farhadi

Destaque «Todos Sabem» de Asghar Farhadi

Penélope Cruz, Javier Bardem, Ricardo Darín e Asghar Farhadi, o que significa? Todos sabemos: ver o filme. Os nomes são magnéticos e colocam-nos num estado de ansiedade, pois queremos provar desta solução mágica. Porém, como acontece em certas histórias, a magia nem sempre é suficientemente forte. Depois da sua passagem por França com «O Passado» (2013), o realizador iraniano regressa a terras europeias, desta vez a uma pequena vila espanhola, na qual volta a explorar, a mergulhar nos difíceis laços familiares, nas chagas que se querem esquecidas.

Em «Todos Sabem», Laura (Penélope Cruz) depois de algum tempo fora regressa a Espanha com os filhos, Irene (Carla Campra) e Diego (Iván Chavero), para o casamento da irmã. O marido, Alejandro (Ricardo Darín) fica na Argentina por questões profissionais. Há um ambiente de festa, de felicidade, propício a reencontros agradáveis com conhecidos e amigos, entre os quais está Paco (Javier Bardem), velho amigo e vinhateiro de sucesso. No dia da boda tudo está perfeito, todos são uma grande e unida família que partilha vinho, música e sorrisos, até que chega a noite e Irene é sequestrada.

O sequestro é o mote, mas não o cerne do argumento. Mais uma vez Asghar Farhadi testa as relações, os laços, a família, e fá-lo sublimemente, mesmo numa língua que lhe é estranha. Ao longo do filme vemos a suspeita a crescer nos olhos, nas frases de cada personagem, todos podem ser culpados, pois todos têm motivos. Nós, do outro lado da tela, acompanhamos estas suspeitas, envolvemo-nos e vemos como tudo se quebra. É fascinante verificar que, apesar de sempre presente, a vítima passa para segundo plano, o mais importante é mostrar como cada indivíduo se revela nesta situação extrema. No entanto, há momentos que não são fluídos, ligações entre cenas – ou mesmo na história – que não são inteligíveis. Para além disso o trio de atores hispânicos não estão no seu máximo fulgor. As representações são credíveis, mas não nos cativam.
No fim do filme ficamos com um sabor amargo na boca, porque o que vimos nos parece plausível, nos toca, isto é, as ações das personagens, a dor que causam umas às outras, a mesquinhez flagrante de todos da vila. Mas também porque esperávamos mais deste quarteto fantástico. 

tres estrelas

(texto originalmente publicado na Revista Metropolis nº66)

Mídia

Modificado emdomingo, 24 fevereiro 2019 16:24

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