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Actualizado às 9:40 PM, Apr 17, 2019

«A Favorita»

Destaque «A Favorita»

Cruel, violento, perverso. Estes são alguns dos adjectivos que habitualmente caracterizam o cinema de Yorgos Lanthimos. «A Favorita», que em muitos aspectos se demarca da restante obra do realizador grego, não será aqui, contudo, diferente. Mas devemos também acrescentar belo, sensual, exuberante... O filme parece reclamar de nós um discurso passional que reflita uma primeira reacção puramente emocional, assente nos sentidos. Só muito mais tarde, talvez numa segunda visita, é que a razão é chamada a dar o seu contributo para o veredicto final: obra-prima!

Ambientado na Inglaterra do século XVIII, «A Favorita» passa-se quase na totalidade dentro dos aposentos da Rainha Ana (Olivia Colman), uma monarca pouco conhecida, até pelos historiadores. Disse-se dela que era ignorante e medrosa. Constantemente grávida (terá tido 17 crianças; morreram todas) e acometida por terríveis crises de gota que a deixavam imobilizada durante dias, a atenção da Rainha era muito disputada na corte. Dentre todos os que procuravam exercer a sua influência, ninguém como Sarah (Rachel Weisz), duquesa de Marlborough, esteve mais próxima de o conseguir. Isto até que Abigail Hill (Emma Stone) entra em cena.

Inspirado em factos reais, o argumento de «A Favorita» (da autoria de Deborah Davis e Tony McNamara) não é o típico drama palaciano. Isto é, não faltam intrigas, traições, jogos de sedução e de poder, mas, acima de tudo, está a verdade das personagens a que o filme dá vida. As três protagonistas, Colman, Weisz e Stone, fazem um trabalho absolutamente extraordinário ao driblar as muitas “armadilhas” plantadas por Lanthimos no caminho da verosimilhança. Ele, que pela primeira vez não conta com o seu habitual co-argumentista, Efhymis Filippou, revela uma faceta mais terna que os espectadores não estavam habituados a ver nos seus filmes. É como se de repente a luz natural (mais uma novidade) iluminasse as personagens, mostrando-as na sua totalidade, na sua humanidade.

«A Favorita» é também o filme onde Lanthimos vai mais longe na experimentação formal. A distorção óptica causada pelo uso de uma lente grande-angular (“olho-de-peixe”) ou da câmara-lenta resultam na criação de um universo onírico que se funde com uma distintiva marca documental. O efeito é verdadeiramente estranho. Às vezes absurdo, cómico, mas nunca falso.

Marcando a afirmação internacional de Lanthimos, «A Favorita» lidera a corrida à 91.ª edição dos Oscars com 10 nomeações, incluindo as categorias de Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Argumento e Melhor Atriz.

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