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Actualizado às 11:43 AM, Jul 21, 2019

A reinvenção de Nicole Kidman em 'Destroyer'

Destaque A reinvenção de Nicole Kidman em 'Destroyer'

Previsto para estrear em Portugal no dia 31, «Destroyer: Ajuste de Contas» é uma narrativa em que os códigos do polar se adaptam aos conceitos existenciais nestes dias de «True Detective». Exibido na seleção competitiva do BFI London Film Festival, em outubro, onde roubou o fôlego de uma plateia com dezenas de críticos, “O peso do passado” (título brasileiro) se impõe na tela numa amarga mistura de melancolia, adrenalina e a desconstrução de uma estrela em estado de graça, Nicole Kidman. A sua potência vem do domínio pleno da sua diretora, a nipo-americana Karyn Kiyoko Kusama (de «Aeon Flux»), sobre a cartilha das narrativas policiais, com brilho especial nas lições físicas (perseguições, tiroteios, prenúncio de violência). Há na sua obra uma tensão contínua em torno de twists de argumento, um nervosismo nas movimentações da câmara, um desdém com as subtilezas – é cinema do pathos, da brutalidade. Os seus filmes têm algo de Don Siegel (realizador de «Madigan» e «Dirty Harry») em seu ethos de aspereza absoluta. Revelada na seara indie há 19 anos, com o cult «Girlfight», Karyn se especializou em narrativas de ação com personagens femininas que carregam feridas afetivas. O afeto é o combustível de «Destroyer», título original deste thriller orçado em US$ 9 milhões, narrado em dois tempos narrativos paralelos, que acompanhamos de modo consecutivo: fica a memória de um lado, gloriosa; fica o presente, devastado do outro. Nicole caminha entre eles no papel da detetive Erin Bell. Seu pretérito era perfeito: no auge da forma física e do desejo, infiltra-se num gangue de criminosos. Os seus dias atuais são de ressaca: alcoólatra, incapaz de lidar com a filha adolescente, carrega correntes de um erro cometido há cerca de 16 anos. Um erro com perfume de amor, a única força capaz de desafiar o seu senso de dever nesta trama fotografada com uma luz sem saturações, crua, como se fazia nos bons policiais dos EUA dos anos 1970... como Siegel fazia.

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Modificado emsábado, 26 janeiro 2019 20:03

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