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Actualizado às 10:22 PM, Nov 12, 2019

Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões

Destaque Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões

O tema de pertença está no centro do cinema trabalho do realizador japonês Hirokazu Kore-eda. Os seus filmes abordam, frequentemente, a família e as possíveis variáveis que existem nos relacionamentos. A relação fragilizada entre pai e filho («After the Storm», 2016), a aproximação tardia entre três irmãs e uma meia irmão («Umimachi Diary", 2015), os recém nascidos trocados à nascença e a paternidade («Tal Pai, Tal Filho, 2014), ou as crianças abandonadas («Ninguém Sabe», 2004). Com «Shoplifters – Uma Família de Pequenos Ladrões», ele apresenta novas componentes morais numa história sobre uma família que faz as coisas erradas pelos melhores motivos.

Esta é uma família formada por cinco pessoas. O pai Osamu (Franky Lily), a mãe Nobuyo (Ando Sakura), um filho pré-adolescente Shota (Jyo Kairi), a irmã mais nova de Nobuyo, Aki (Matsuoka Mayu), e a avó (Kirin Kiki). Eles vivem no limite precário da insolvência num exíguo apartamento da avó e dependem da sua prestação da segurança social para gerir as despesas essenciais. Os parcos rendimentos dependem dos biscastes que o pai faz na construção civil e do trabalho da mãe numa lavandaria.

A comida e a roupa, ou outros bens secundários, são furtados em lojas e supermercados. O pai e o filho são especialistas nestes roubos regulares. Um dia, no regresso a casa, ambos encontram uma criança de cinco anos, abandonada, e levam-na para casa com a intenção de encontrar os pais mais tarde. No entanto, a avó deteta algumas marcas na criança que podem indiciar maus tratos. Eles decidem mantê-la e chamam-lhe Yuri.

Progressivamente, o filme vai consolidando os laços familiares, construindo uma zona de aconchego emocional, enquanto revela alguns equívocos nestas relações. O filho mais velho não trata o pai por pai, o casal parece não dormir junto, a avó finge viver sozinha quando recebe uma visita de uma assistente da segurança social.

A seu tempo perceberemos que a história desta unidade familiar é feita de laços de afetos consolidados através das circunstâncias e das fragilidades de cada um. Não somos nós que escolhemos a família mas podemos torná-la mais forte. Hirozaku Kore-eda mostra novamente que a união afetiva pode ser mais forte do que a ligação de sangue. «Shoplifters – Uma Família de Pequenos Ladrões» é um retrato tocante e simbólico numa época onde a família instituída está a ser fortemente abalada. A consagração do realizador chegou no Festival de Cannes através de uma Palma de Ouro carregada de um sentido de oportunidade profundamente humanista.

quatro estrelas

Mídia

Modificado emquarta, 12 dezembro 2018 01:09

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