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Actualizado às 12:39 AM, Dec 17, 2017

Alien: Covenant

Destaque Alien: Covenant

Dono de um equilíbrio pleno entre ação e reflexão, apesar de causar um certo marasmo do minuto 20 ao minuto 45, prejudicado por um quarto de hora de edição desencontrada, «Alien: Covenant» alterna entre a condição de jogo mortal e uma instância de reflexão, revelando um espaço de convivência confortável para ambas as suas naturezas. É, como narrativa o mais elegante e coeso exercício de direção de Ridley Scott desde o seminal «Gladiador» (2000). E, mais do que isso, é remédio santo para quem quer entender a série Alien – que, se goste ou não, tem no terceiro filme, o David Fincher, o seu momento de maior transcendência. Mas, comparações à parte, temos aqui um sci-fi interestelar com as características básicas do filão, somadas a muita ação e a um elenco com carisma para fisgar plateias. E temos Michael Fassbender em apogeu, dividindo-se em dois papeis, ambos androides, construindo um vilão capaz de se candidatar à Eternidade. Um vilão de demasiada humanidade, apesar da sua forma metálica. É ele quem, numa tomada de abertura darwinista, dividida entre ele e Guy Pearce, ajuda o público a compreender o equívoco nietzschiano que foi «Prometheus». Um equívoco mediado pela vaidade do seu realizador.

Apesar de fragilizado pela construção de personagens em excesso (a maioria sem função que não servir de vítima a um mostro cuspidor de ácido), «Alien: Covenant» é uma aventura galáctica com timbre de suspense, estruturada a partir de uma missão de resgate. Na trama, uma nave colonizadora de transporte de passageiros é sacudida por uma tragédia em que seu capitão (James Franco, numa aparição pífia) é morto. A mulher deste, Daniels (Katherine Waterston, ótima e autêntica mesmo quando Scott força fazer dela uma nova Ripley), tem que lidar com a dor da perda e com o comando confuso de um novo timoneiro, o beato Oram (Billy Crudup, cujo fervor religioso não se explica). Esta tripulação aterra num planeta atraído por um estranho sinal, de vida. Além de Oram e Daniels, eles contam com as manhas científicas e com a coragem do piloto Tennessee, vivido pelo comediante Danny McBride, o destaque do elenco, capaz de roubar cada cena para si.

Neste cenário de estranhas estátuas, que tresanda a morte, os astronautas vão se deparar com vários aliens, alguns de fisionomia diferente da que conhecemos, mas ainda cheios de ácido. Com os exploradores vai o robot Walter e lá, entre os ETs, está o também maquiavélico David, ambos Fassbenders. No planeta, o autómato que sobrou de «Prometheus» revela o que existe sob a sua pele sintética, num twist arrebatador de argumento, que injeta o filme de platonismo.

quatro estrelas

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