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Actualizado às 9:45 PM, Sep 22, 2019

Negação

Destaque Negação

Terá o Holocausto existido mesmo? A resposta a esta questão pode não ser tão clara como se pode pensar e «Negação» mostra uma história real desta desconfiança. Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz), uma historiadora norte-americana respeitada, especializou-se no tema do Holocausto e na sua obra “Denying the Holocaust: The Growing Assault on Truth and Memory”, lançado em 1993, critica duramente David Irving (Timothy Spall), um teórico inglês que apregoava que o genocídio dos judeus ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial não passava de uma farsa criada pelos próprios. Irving processa Deborah por difamação por causa do livro e tem o sistema judicial britânico do seu lado. Ora, nestes casos, é o próprio réu que tem de provar a sua inocência e não o contrário. Portanto, Deborah terá de provar que o Holocausto realmente aconteceu, contando, para isso, com um leque de advogados ferozes que farão de tudo para vencer a contenda.

Baseado no livro “History on Trial: My Day in Court with a Holocaust Denier”, publicado em 2005, escrito pela própria historiadora, «Negação» é realizado de forma pouco criativa por Mick Jackson, através de uma narrativa linear e quase sensaborona. Os diálogos são chamativos e põem o dedo na ferida, mas a estrutura do filme é demasiado rígida. Não obstante, Rachel Weisz, Timothy Spall, Tom Wilkinson e Andrew Scott são os motivos pelos quais o filme se sustenta, enriquecendo a obra com interpretações sentidas e pertinentes.

Numa altura em que se fala recorrentemente em fake news, «Negação» não poderia ser mais atual, apesar de se tratar de um retrato histórico. O filme importa por isso mesmo, por incitar ao debate de um tema cuja necessidade de discussão e aprofundamento nunca se esgota e por mostrar que nem a própria História se salva de ser questionada. Todavia, enquanto filme propriamente dito, «Negação» não consegue surpreender por completo.

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