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Actualizado às 11:54 AM, Oct 8, 2019

Esquadrão Suicida

Pode-se dizer que «Esquadrão Suicida» é melhor do que «Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça», mas a verdade é que a fasquia no universo DC/Warner também não estava muito alta. O “esquadrão” está em serviços mínimos a tentar limpar a imagem dos heróis charneira da DC enquanto fazem o máximo de estragos no grande ecrã.

«Esquadrão Suicida» reúne o pior dos piores num grupo bastante suis generis de vilões forçados a formar uma super-equipa para reduzir a sua sentença na cadeia enquanto tentam salvar os EUA e o mundo.

O filme de David Ayer não é uma desilusão completa mas sabe a pouco. Numa equipa com tantos personagens com margem de progressão é algo frustrante que em 120 minutos só tenhamos quatro personagens com significado, as restantes figuras são absolutamente planas. A narrativa é uma espécie de anúncio de wrestling onde tudo é feito de plástico e onde falta alma e coração.

O humor é cáustico e tem a assinatura da senhora mais bela do hemisfério sul, a australiana Margot Robbie, que enche o ecrã e mostra que é muito mais do que uma cara laroca ao interpretar Harley Quinn, uma personagem tresloucada e profundamente apaixonada por Joker (Jared Leto), a maior desilusão do filme. O palhaço mais icónico do cinema (as minhas desculpas ao «It – Palhaço Assassino»), que teve no passado a assinatura de gigantes como Jack Nicholson ou Heath Ledger, surge sub-representado por Jared Leto que não é mais do que uma sombra pálida destas interpretações. É caso para publicar o anúncio: “Precisa-se Palhaço Psicótico”.

O melhor do filme, a par de Margot Robbie, é Will Smith e Joel Kinnaman que interpretam personagens assentes respectivamente no amor pela filha (Shailyn Pierre-Dixon) e na paixão por uma mulher, a arqueóloga June Moone (Cara Delevingne) que está possuída por uma entidade maligna com uma agenda de destruição global. A vilã do filme tem peso pluma face a uma super-equipa que passa o filme a discutir e a elaborar planos de fuga até que decidem perder as ilusões e agirem como heróis.

As debilidades do argumento são até certo ponto compensadas pela realização eficaz de David Ayer. Apesar de a montagem ter o ritmo acelerado de um videoclip conseguimos compreender tudo o que se desenrola em cena e as coreografias estão ao serviço das especificidades dos personagens. Os excessos de flashbacks provam ser interlúdios que preenchem os vazios narrativos dos personagens. Uma nota positiva também para a super banda sonora, um autêntico best-of dos monstros do rock.

Apesar da sua galeria de personagens excêntricos e da acção hard-core «Esquadrão Suícida» é um filme que claramente caminha sobre pezinhos de lã para não afundar ainda mais a reputação de um filão que se quer produtivo como o concorrente mais bem sucedido: a Marvel. Falta no cinema a duplicação dos sucessos da DC na televisão que gozam de liberdade criativa e narrativa e personagens de corpo inteiro. O maior sucesso crítico e comercial da DC continua a ser a saga operática de Batman, de Christopher Nolan. O filme referência de super-heróis de 2016 é mesmo «Deadpool», que na origem tinha a mesma irreverência e o sentido de politicamente incorreto de «Esquadrão Suicida», já esta produção da DC/Warner fica aquém das expectativas. Não há sucessos instantâneos sem muito trabalho, e a DC parece estar a forçar uma fórmula que claramente não resulta além dos fãs dos comics.

duas estrelas

Título Nacional Esquadrão Suicida Título Original Suicide Squad Realizador David Ayer Actores Will Smith, Jared Leto, Margot Robbie Origem Estados Unidos Duração 123’ Ano 2016

 

 

Mídia

Modificado emquinta, 01 setembro 2016 07:54
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