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Actualizado às 11:13 AM, Oct 23, 2019

Maggie Tem Um Plano

Nova Iorque é o cenário predileto em dezenas de séries e centenas de películas. Porém, quando pensamos em filmes “nova-iorquinos” há claramente um nome que se destaca: Woody Allen. Mas desta vez é Rebbeca Miller quem requisita a cidade para palco da sua quinta obra cinematográfica: «Maggie’s Plan».

Como o próprio título anuncia, Maggie (Greta Gerwig) tem um plano, ou melhor, vários planos. A protagonista está decidida a controlar todos os aspetos da sua vida, e, logo nos primeiros momentos do filme, ficamos a saber de um dos mais importantes: tornar-se mãe. Como não pode esperar até que o destino lhe apresente um companheiro fiável, Maggie opta por procurar um doador de esperma compatível, que encontra em Guy (Travis Fimmel), um pacato produtor de pickles artesanais. Porém, o destino gosta de pregar partidas e coloca-lhe no caminho John (Ethan Hawke), um charmoso professor temporário com aspirações a escritor, que vive um casamento sufocante por causa da sua dominante e bem-sucedida esposa Georgette (Julianne Moore). Inevitavelmente, Maggie e John envolvem-se e constroem uma nova família. Maggie tem finalmente a sua tão desejada filha. No entanto, passados alguns anos, Maggie percebe que a cada momento que passa a sua paixão por John desvanece e que a sua relação foi definitivamente um erro. Por isso formula um plano: devolver John a Georgette. É nesta reviravolta que está o passo de magia, a surpresa deste filme.

maggie 2

«Maggie’s Plan» é um filme equilibrado e bem construído, revelando ser uma comédia com uma boa dose de reflexão. Ou seja, Rebecca Miller não ornamenta a realidade para ser mais risível, não necessita. Nós rimo-nos das imperfeições de cada personagem, das suas falhas e fantasias. O filme faz-nos pensar até que ponto são estas personagens caricaturas. Mas, para além disso, divertimo-nos a cruzar referências: Georgette lembra-nos Maude Lebowski – «O Grande Lebowski» (1998) –, John é um Jesse ainda a viver em Nova Iorque e com problemas conjugais – «Antes do Anoitecer» (2004) –, Maggie é o oposto de Frances – «Frances Ha» (2012).

Esta comédia funciona não só por causa da narrativa, mas também pela prestação dos atores; a excentricidade tanto de Maggie como de Georgette não seria a mesma sem a representação de Greta Gerwig e Julianne Moore, comprovando-se que esta última também se move bastante bem no registo cómico. Mas Miller consegue também construir imagens de grande beleza ao captar e aliar momentos cómicos a momentos delicados ou sensuais, como, por exemplo, quando John vai desabotoando lenta e luxuriosamente a antiquada camisa de noite de Maggie, botão a botão, dos joelhos ao peito.

Rebecca Miller filma as ruas nova-iorquinas, o ambiente intelectual da cidade, as frustrações pessoais, os labirintos amorosos, tudo isto nos encaminha para o imaginário woodyliano. Porém, há uma grande diferença: o filme está centrado numa mulher. Não é o professor na sua crise de meia idade que faz a história avançar, mas sim Maggie com as suas decisões. É a vida de uma mulher que luta para ser feliz, mesmo que os seus planos não resultem.

No filme aparece o nome do filósofo Slovoj Zizek, talvez por questões da narrativa, ou talvez para lembrar que o controlo é sempre uma ilusão e que o desejo é perverso, pois o que se deseja nem sempre é o que se precisa e vice-versa. 

tres estrelas

Título Nacional Maggie Tem Um Plano Título Original Maggie’s Plan Realizadora Rebecca Miller Actores Greta Gerwig, Ethan Hawke, Julianne Moore Origem Estados Unidos Duração 98’ Ano 2015

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº39)

Greta Gerwig Ethan Hawke Julianne Moore

 

Mídia

Modificado emsegunda, 27 junho 2016 15:56
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