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Actualizado às 10:22 PM, May 23, 2017
Jorge Pinto

Jorge Pinto

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Styx: Shards of Darkness - trailer de lançamento

Styx: Shards of Darkness, é um jogo de acção furtiva do estúdio Cyanide, é lançado a 14 de março na PlayStation 4, Xbox One e PC! Os jogadores vão assumir o controle do ágil goblin ladrão Styx, à medida que assassina, se esconde e que troça com os seus adversários na sua jornada através de um imenso mundo de fantasia cheio de segredos mortais e inimigos.

Assista ao animado ao trailer de lançamento com um gosto de Styx™ onde podemos confirmar as habilidades, as rápidas acrobacias e uma língua ainda mais rápida!
Nesta última aventura de Styx vemo-lo a fazer um acordo inesperado com um misterioso agente humano chamado Helledryn - e ele tem um trabalho como nunca antes teve. Ele deve roubar o cetro de um embaixador, que atraiu o interesse de várias festas nefastas (e odiadas por duendes). Como recompensa por completar esta missão perigosa, Helledryn promete a Styx uma montanha de âmbar mágico, a fonte do poder do nosso globin e uma substância que o deixa irremediavelmente viciado. Naturalmente, o nosso ladrão de pele verde vai ficar enredado numa teia de intriga e assassinato!

 

  • Publicado em Jogos

Nos 100 anos de Kirk Douglas

Kirk Douglas nasceu no dia 9 de Dezembro de 1916, na pequena cidade de Amsterdam, no estado de Nova Iorque — hoje celebra o seu 100º aniversário.
Se há alguém que (ainda) pode simbolizar todo um imaginário clássico em que o glamour de Hollywood se cruza e, de algum modo, reinventa através de um obstinado humanismo, Kirk Douglas é, por certo, essa pessoa. Vale a pena recordar a esse propósito que a sua invulgar trajectória de actor, pontuada por muitos títulos emblemáticos — A Vida Apaixonada de Van Gogh (Vincente Minnelli, 1956), Duelo de Fogo (John Sturges, 1957), Spartacus (Stanley Kubrick, 1960), Sete Dias em Maio (John Frankenheimer, 1964), O Réptil (Joseph L. Mankiewicz, 1970), etc. —, é indissociável de uma actividade como produtor em que, em momentos decisivos (recorde-se o seu apoio a Kubrick na concretização de Horizontes de Glória, em 1957), soube valorizar alguns decisivos impulsos de transformação do cinema americano.

Aqui ficam imagens de três filmes excepcionais em que Kirk Douglas tem algumas das suas mais brilhantes performances:

— ACE IN THE HOLE/O Grande Carnaval (1951): as relações entre a realidade vivida e a realidade jornalística, numa parábola política de Billy Wilder cuja actualidade nunca se perdeu;

— THE BAD AND THE BEAUTIFUL/Cativos do Mal (1952): os bastidores de Hollywood vistos à lupa por Vincente Minnelli como a tragédia de uma exuberante família disfuncional;

— THE ARRANGEMENT/O Compromisso (1969): a mitologia clássica do sucesso made in America revista pelo olhar metódico e desencantado do grande Elia Kazan.

  • Publicado em Feature

Bob Dylan, 1966

Dizer que é uma antologia, eis o que, desta vez, soa a imprecisão jornalística. De facto, Bob Dylan: The 1966 Live Recordings não é uma mera reunião de momentos emblemáticos de concertos, mas sim uma colecção de todos os registos de Bob Dylan, ao vivo, no ano fulcral de 1966. Que significa todos? Pois bem, digamos, para simplificar, que são 36 CDs que, em muitos casos, contêm gravações que "nunca circularam em nenhum formato".

A importância desta edição monumental é tanto maior quanto nos remete para as memórias agitadas do período em que Dylan decidiu começar a usar guitarra eléctrica, escandalizando os puristas da folk e desorientando muito boa gente que se dizia aberta a todas as variações do rock. Um dos testemunhos mais fascinantes dessa conjuntura é o documentário clássico de D. A. Pennebaker, Dont Look Back (1967), centrado na polémia digressão de 1966 (EUA, Europa e Austrália).

Uma selecção de temas pode ser escutada no site da NPR. Aqui fica um testemunho dessa época, com um extracto de Like a Rolling Stone, tal como surge enquadrado no filme No Direction Home (2005), de Martin Scorsese.

Virgem Prometida - Ser ou não ser uma mulher albanesa

Um filme italiano sobre uma mulher albanesa: Virgem Prometida é um exemplo modelar de um cinema que não abdicou do realismo — este texto foi publicado no Diário de Notícias (5 Outubro), com o título 'Um drama feminino vivido entre Albânia e Itália'.

Não é fácil explicar o que acontece num filme como Virgem Prometida, realizado por Laura Bispuri, cineasta italiana que aqui se estreia na longa-metragem. Desde logo porque importa preservar o direito do espectador descobrir os “segredos” que o habitam seguindo as suas próprias peripécias, não através deste ou de qualquer outro texto.

Lembremos, por isso, o essencial (que não envolve qualquer “revelação” abusiva, já que corresponde à informação disponível no próprio trailer do filme). A “virgem” a que o título se refere é uma mulher, relativamente jovem, compelida a mudar o seu comportamento, “transformando-se” num homem. Daí a pergunta que pode surgir: estamos, então, perante uma história de transgénero, em que um ser humano de determinado género contém, em si, como uma espécie de identidade escondida, outro género? Nada disso, já que tudo acontece a partir de uma contundente imposição social: esta é “apenas” a história de Hana que é forçada a assumir-se como Mark.

A marca decisiva desta transformação, sublinhe-se, não está em qualquer movimento de consciência, muito menos em qualquer impulso hedonista, mas sim no seu carácter compulsivo. Estamos numa zona remota das montanhas da Albânia em que o peso de tradições primitivas não só delimita os comportamentos e direitos das mulheres em função da mais absoluta autoridade masculina, como as obriga, quase sempre, a casarem-se com homens que não escolheram (muitas vezes, nem sequer conhecem). Quando alguma delas consegue escapar a tal destino, deve sacrificar a sua condição feminina e jurar virgindade eterna (Vergine Giurata é o título original italiano). Mark é, assim, o homem que “nasce” no lugar de Hana, a partir do momento em que lhe foi retirado o direito de existir como mulher.

A verdade mais íntima

Para a personagem central, tal “sacrifício” é sustentado durante cerca de uma década, até que decide partir para Itália, ao encontro da prima com quem partilhara infância e adolescência. A intensidade afectiva do filme de Laura Bispuri (baseado num romance de Elvira Dones) nasce também do contraste cenográfico que assim se estabelece: Mark deixou para trás o frio gélido da sua região albanesa para tentar integrar-se numa vida urbana totalmente diferente; ao mesmo tempo, tudo se passa como se, através da sua presença física, os espaços italianos ecoassem a pesada herança de uma ruralidade asfixiante. Dito de outro modo: trata-se de saber se, por baixo da máscara que é Mark, ainda resta algo de Hana.

Na sua transparência emocional, Virgem Prometida é também um filme sobre um drama infinitamente complexo: quando alguém é despojado da sua identidade sexual, como sobreviver? Ou seja: como estabelecer relações com os outros a partir da sua verdade mais íntima?

Compreende-se, por isso, o desafio imenso que a personagem de Hana/Mark terá representado para Alba Rohrwacher (que conhecemos, por exemplo, de O País das Maravilhas, filme de 2014 realizado por sua irmã, Alice Rohrwacher). Não se tratava tanto de interpretar uma mulher que “finge” ser um homem, mas mais de colocar em cena a perturbação visceral de alguém que foi educada para se “esquecer” de quem é.

Estamos, enfim, perante o exemplo invulgar de um filme que, através do realismo de lugares e objectos, nos convoca para a descoberta de uma realidade arquitectada, em nome da tradição e da “pureza”, contra as coisas palpáveis do mundo. É um filme italiano que, curiosamente, foi gerado a partir de uma invulgar aliança de produção: para além da Itália, estão envolvidos na sua gestação financiamentos e contributos provenientes de Albânia, Kosovo, Suíça, Alemanha e França.

  • Publicado em Feature
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