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Actualizado às 9:31 PM, Aug 22, 2019

Sniper Americano - BD

Clint Eastwood aos 80 anos e na sua trigésima quinta realização contínua imparável, «Sniper Americano» foi o maior sucesso, crítico e financeiro, da sua carreira. É inspirado em factos verídicos, na história de Chris Kyle, um navy seal e o melhor sniper da história do exército americano. Destaque para o profundo trabalho de pesquisa e adaptação do livro presentes na escrita do argumento de Jason Hall. Este filme obrigatório é um eloquente tratado sobre a guerra e as consequências humanas do ponto de vista do protagonista dividido por deus, pátria e família. Encontramos o amor a paredes meias com o dever pelos camaradas de armas durante várias campanhas de guerra no Iraque. O argumento conseguiu destilar perfeitamente o papel de Chris Kyle no lado intimo e familiar perante a guerra, uma dualidade que remete o filme para outra dimensão transformando-se também numa história de amor e de sofrimento daqueles que ficam na terra mãe. «Sniper Americano» tem um fervor patriótico mas nunca cai no maniqueísmo lançando o debate sobre o real esforço de guerra na América. Nota final para a performance de Bradley Cooper numa interpretação exigente a nível físico e psicológico volta a provar todo o seu talento dramático neste tributo a um herói americano.

A edição blu-ray conta com um making of e um magnifico documentário de produção.

The Revenant

O impacto de «The Revenant: O Renascido» transcende as fronteiras do ecrã. Não é um filme, é uma experiência religiosa. A Santíssima Trindade é formada pelo realizador Alejandro González Iñárritu, o director de fotografia Emmanuel Lubezki e o actor Leonardo DiCaprio.

Baseado no argumento de Mark L. Smith, trabalhado durante cinco anos pelo consagrado realizador mexicano Alejandro González Iñárritu, «The Revenant: O Renascido» faz-nos recuar 200 anos e coloca-nos perante uma América inexplorada e selvagem, numa composição que é um clássico moderno de um filme de fronteira. Inspirado na lendária história de sobrevivência de Hugh Glass, um explorador notável, exímio caçador e comerciante de peles que é abandonado e dado como morto por membros do seu grupo após ter sido atacado por um urso pardo, o filme introduz outros elementos ficcionais, como a relação de Glass com o seu filho mestiço. A crueldade de que o rapaz será vítima farão Glass interrogar-se se a vingança será suficiente para sarar a ferida aberta. A intromissão de memórias de um passado traumático, pintado em tons surrealistas, e onde há laivos de Terence Malick, acrescenta uma maior densidade à acção. A história de vingança é o ponto de partida para percorrer cenários remotos, reais e usualmente afastados do grande ecrã na era do digital onde as filmagens com luz natural e a rodagem em sequência cronológica – do Outono a um Inverno rigoroso –, trazem à tela muito gelo, nevoeiro, chuvas e nevões que não são fictícios. Estas condições extremas foram um verdadeiro tour de force para o elenco e a produção mas um deslumbre para o nosso olhar.

«The Revenant» deixa o poder das imagens falar por si. Ficamos siderados com este recuo aos primórdios do cinema. Vem à memória a ingenuidade do épico «Tabu», de F.W. Murnau, ou, mais recentemente, «As Brancas Montanhas da Morte» (1972), de Sydney Pollock, mas é o «Novo Mundo», de Terence Malick, o filme que não só em termos visuais mas também temáticos mais se aproxima deste relato que retrata o fim da inocência no cruzamento do homem branco com os nativos americanos e explora o diálogo com a natureza. Além disso, e não é um pormenor, «The Revenant» partilha o mesmo director de fotografia, Emmanuel Lubezki.

Parco em palavras, o filme espelha a relação do homem com a natureza em acções que têm ressonância na sociedade moderna. Passados quase 200 anos, observamos práticas que ainda são comuns no nosso mundo: o consumismo desenfreado, a xenofobia e o desrespeito pelo meio ambiente. Alejandro González Iñárritu filmou e retratou os nativos americanos com dignidade, estes não são os típicos índios retratados pelo cinema clássico, não são os “maus da fita” nem motivo para o velho dualismo “índios versus cowboys”. Neste caso são seres humanos, com a sua agenda própria e com divisões profundas entre as várias tribos. A sub-trama deste filme gira em torno dos nativos e envolve um rapto, aspecto que é também baseado em factos verídicos.

O filme faz-nos embarcar na viagem de Hugh Glass sobre os limites da chacina, coloca-nos junto com a personagem no centro da espiral de violência, mas é nesse centro, no olho do furacão, que o perdão se mostra como força redentora. A obra não faz disso uma bandeira e não serve para nos dar lições de moral mas está omnipresente o peso dessa questão no final desta jornada épica. O que se inicia como uma viagem de vingança torna-se uma obra de redenção.

As condições ambientais rigorosas em que os actores trabalharam contribuíram de certa forma para adicionar mais ímpeto e até um lado visceral às performances. Tom Hardy está novamente brilhante como John Fitzgerald, um pragmático ignorante que apenas quer salvar a sua pele – mais uma vez tiramos o chapéu ao brilhantismo do argumento ao evitar retratar o personagem de modo maniqueísta. Domhnall Gleeson também dá cartas com seu desempenho como o líder da expedição, o Captão Andrew Henry que segue a honra e o dever perante homens preparados para fazerem tudo. Gleeson é um actor a seguir no futuro, especialmente se tivermos em conta o seu desempenho em «Star Wars: O Despertar da Força». Mas a verdade é que todos ficam distantes da performance imperial de Leonardo DiCaprio. A sua entrega ao personagem é total. Mesmo com poucas linhas de diálogo, tudo assenta na forte presença física e na intensidade do seu olhar. Se o Oscar lhe fugir teremos em mãos um caso de polícia.

À semelhança de «Birdman», o último trabalho de Alejandro González Iñárritu em conjunto com Emmanuel Lubezki, o seu director de fotografia, «The Revenant» também é uma obra a duas mãos. Iñárritu e Lubezki são dois artistas visuais em perfeita sintonia, as técnicas de uma câmara deambulante em cima dos personagens e que nos leva ao amago da acção e das emoções contemplando o espaço a 360 graus advém muito deste “mestre da luz” que é Emmanuel Lubezki. «The Revenant» dificilmente poderia ter sido produzido com outro realizador (rodar numa centena de localizações em regiões remotas durante um ano?!), no entanto a coragem do estúdio é premiada por um triunfo magistral do cinema. «The Revenant» é um intenso espectáculo visual e um testemunho da coragem humana face às enormes contrariedades da vida.

Título Nacional: The Revenant: O Renascido
Título Original: The Revenant
Realização: Alejandro González Iñárritu
Actores: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter
Duração: 156’
Ano: 2015
Origem: EUA
Classificação: 5

 

Quarto - Trailer oficial

“Quarto” é um filme com um enorme suspense e, simultaneamente, profundamente emocional, explorando de forma única e comovente o inquebrável amor entre uma mãe e o seu filho. Depois de Jack (Jacob Tremblay), de 5 anos, e a sua mãe (Brie Larson) terem escapado ao enclausuramento que Jack conheceu durante toda a sua vida, o rapaz faz uma descoberta fascinante: o mundo exterior. Enquanto experiencia toda a alegria, entusiasmo e medo que esta nova aventura traz, ele agarra-se ao que lhe é mais importante – a ligação especial com a sua amada e devota mãe.

Realizado por Lenny Abrahamson (“Frank”), o filme conta com Jacob Tremblay (“Os Smurfs 2”), Brie Larson (“Descarrilada”), Joan Allen (“O Legado de Bourne”), Sean Bridgers (“Lugares Escuros”) e William H. Macy (“Cake: Um Sopro de Vida”) nos principais papéis.

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Anomalisa

O amor é uma anomalia. De repente, do meio da multidão anónima, vulgar, surge um ser que se distingue de todos os outros. A sua singularidade faz colapsar o tempo e o espaço. Para aquele que ama, ele é o centro do universo. Todo o universo. Absoluto, misterioso, incomparável. A resposta para a existência. Depois chega a manhã.

Kaufman não é um cínico, mas ele conhece bem as suas personagens, e «Anomalisa» não é um filme sobre o amor, ou sobre Lisa (o sufixo no título). Este filme, como quase todos os que Kaufman já escreveu ou realizou, é sobre um homem virado para dentro.

O argumento nasceu de um texto escrito para ser lido em palco – uma espécie de peça de teatro falado – que Kaufman criou em 2005 sob o pseudónimo de Francis Fregoli. Passados 10 anos, e depois do fracasso de bilheteira de «Sinédoque, Nova Iorque» (2008), Kaufman escapou aos constrangimentos dos estúdios e conseguiu dar nova vida à sua história através de um processo de crowdfunding. A escolha do formato, a animação em stop-motion, é também por isso bastante curiosa. Numa produção tão pequena, em que não há espaço para derrapagens orçamentais e se avança à velocidade estonteante de 2 segundos por dia, cada plano é um plano. Fazer cinema assim aproxima-se de um acto de fé.

É comovente testemunhar em cada gesto, em cada cambiante de luz todo o empenho e persistência da extensa equipa de animadores, escultores, técnicos de luz e de som que fizeram de «Anomalisa», como já se disse, o filme mais humano que temos em sala. O que é que quer dizer “mais humano” ou, simplesmente, “humano”? Esta é a questão com que o protagonista do filme, Michael Stone (voz de David Thewlis), se debate.

The Revenant: O Renascido - Antevisão

DiCaprio em tom clássico

Vale a pena recordar os dois filmes em que descobrimos Leonardo DiCaprio: A Vida deste Rapaz e Gilbert Grape, em que contracenava, respectivamente, com Robert De Niro e Johnny Depp. Foi há mais de vinte anos (são ambos de 1993) e, desde então, temo-lo visto como um dos mais sofisticados actores de Hollywood.
Seria preciso alguém como ele para enfrentar o desafio colocado pelo novo filme de Alejandro González Iñárritu: The Revenant: O Renascido é, de uma só vez, uma viagem por uma natureza invulgarmente agreste e uma convulsiva saga interior. Talvez que a aliança de Iñárritu e DiCaprio possa contribuir para o sempre ansiado regresso do “western” — gostamos de saber que os valores clássicos não estão esquecidos.

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