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Actualizado às 3:58 PM, Jan 19, 2020

Bons Rapazes

«Bons Rapazes» assinala o regresso do ultra-talentoso argumentista e realizador norte-americano Shane Black, com um mestrado em buddy cop movies – ele assinou «Arma Mortífera» (1987), «A Fúria do Escuteiro» (1991) e «Kiss Kiss Bang Bang», filme que salvou a carreira a Robert Downey Jr. A variação e cruzamento de géneros é algo que Shane Black domina de olhos fechados. Em «Bons Rapazes» somos levados até uma Los Angeles em convulsão e em polvorosa com a corrupção transversal que vai do fundo do poço até ao topo da cadeia alimentar. Dois detectives privados, interpretados pelos pesos pesados Russell Crowe e Ryan Gosling, unem esforços (apesar de contrariados) para encontrarem uma jovem desaparecida. Os detectives têm à perna assassinos incompetentes e outros mais assertivos. Como pano de fundo temos a indústria porno, muito álcool e alucinogénios à mistura na cidade dos anjos. Neste cenário pouco aconselhável a menores surge precisamente uma adolescente, a filha de um dos detectives, que serve de compasso moral ao pai (Gosling) e figura paternal ao detective (Crowe) que se junta ao clã. Este belíssimo dispositivo narrativo é encarnado por Angourie Rice (lembrem-se do nome!) que adquire vários ritmos seja a sublinhar a amargura, a comédia ou a ternura desta trama. Estes «Bons Rapazes» são na realidade um excelente cruzamento entre o noir, o drama ligeiro e a comédia de acção. Realmente, não falta nada: personagens maduros e bem interpretados, ritmo galopante e atmosfera a que só falta ter cheiro, e ainda temos o bónus de Kim Basinger e a sensação de dever cumprido quando rolam os créditos finais.

cinco estrelas

Título Nacional Bons Rapazes Título Original The Nice Guys Realizador Shane Black Actores Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice Origem Estados Unidos Duração 116’ Ano 2016

 

Bons Rapazes

Um buddy cop movie como já raramente se vê em Hollywood, «Bons Rapazes» diverte e desanuvia, reavivando um género que ainda tem trunfos na manga. A história rocambolesca junta um detetive privado atrapalhado e amargurado, Holland March (Ryan Gosling), e um brutamontes de coração mole, Jackson Healy (Russell Crowe). A dupla improvável terá um caso complexo por deslindar, contando ainda com a (preciosa) ajuda de Holly (Angourie Rice), a filha de March, que tem um faro apurado.

Shane Black volta - e em boa hora - a um género onde já foi feliz (falamos do espirituoso «Kiss Kiss Bang Bang», 2005), após um confuso «Homem de Ferro Três» (2013). Cheia de dinamismo e planos na mouche, a realização de Black aproveita o melhor da química dos atores, mantendo a atenção do espectador, apesar de um argumento mais murcho. Este é, aliás, o calcanhar de Aquiles da obra. Apesar de um início pujante e promissor, o ritmo vai-se esbatendo enquanto os minutos vão passando e a narrativa vai-se afogando em si mesma.

Todavia, o que vai mantendo a chama viva é o trio de atores: um Gosling inspiradíssimo, que rende as melhores cenas do filme, numa parelha inusitada e divertida com Crowe. Na comédia, o timing é essencial e ambos são certeiros. A jovem Angourie Rice também surpreende e consegue mesmo impor-se em alguns momentos. A banda-sonora está bem escolhida e adaptada à época retratada, os criativos e fervorosos anos 1970. A direção artística passa com nota positiva o desafio, o mesmo já não se podendo dizer da fotografia, que fica um pouco aquém.

«Bons Rapazes» é um filme despojado e reúne, em doses moderadas, comédia e ação, não sendo propriamente inesquecível, mas conseguindo ser arrojado e até provocador em alguns momentos. A obra releva-se, sobretudo, pela sua simplicidade. Numa altura em que Hollywood se entrega aos efeitos especiais, «Bons Rapazes» deixa isso de lado e aposta tudo na intensidade dos seus protagonistas, uma dupla que bem podia continuar a dar ao Cinema mais algumas aventuras.

quatro estrelas

Título Nacional Bons Rapazes Título Original The Nice Guys Realizador Shane Black Actores Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice Origem Estados Unidos Duração 116’ Ano 2016

 

Dwayne Johnson vai ser 'Doc Savage' no filme Shane Black

O actor disse esta segunda-feira que se vai juntar ao realizador Shane Black («Kiss Kiss Bang Bang» «Homem de Ferro 3» e «Bons Rapazes») para trazer o herói Doc Savage ao ecrã. Shane Black está neste momento a trabalhar no reboot de «Predator» que está a ser desenvolvido para a Fox.

Dwayne Johnson afirmou que esteve à conversa com os argumentistas Anthony Bagarozzi e Charles Mondry para delinearem a história de Doc Savage. E segundo o actor a principal razão para interpretar o personagem Doc Savage era “HE'S A F*CKING HILARIOUS WEIRDO!" [Ele é um tipo completamente estranho e hilariante]

Em 2013 Shane Black esteve próximo da realização de «Doc Savage» após trabalhar no argumento durante vários anos. A Sony que irá produzir o filme considera que a produção será o início de um franchise.

Dwayne Johnson vai participar em «Central Intelligence» que estreia no final de Junho em Portugal e continua imparável com participações agendadas em «Baywatch», a sequela «Fast 8», a segunda parte de «San Andreas» e o remake de «Jumanji».

 

 

Shane Black, o argumentista prodígio - «Bons Rapazes»

Sempre acompanhado de um cigarro electrónico, para sublimar em vapor a tensão de alternar a pena de escritor com a câmara de diretor, Shane Black pagou caro o preço de ter sido o argumentista mais bem pago de Hollywood nos anos 1980 e início de 1990, mas vem dando o troco filmando (e ainda escrevendo) o que bem quer, vide «Bons Rapazes». Não é qualquer nome na Meca da indústria do audiovisual com cacife para ter Ryan Gosling e Russell Crowe juntos, em situações embaraçosas, numa versão ébria e chapada dos anos 1970. Mas depois do fenómeno de bilheteria que «Homem de Ferro 3» tornou-se, facturando US$ 1,2 bilhão mundo afora tendo Black como realizador.

Cannes recebe o filme hors-concours, mas com ansiedade, não apenas pelo tapete vermelho estrelar que a produção garantirá à Croisette, mas para entender melhor a cabeça criativa que, três décadas atrás, deu ao cinema de ação um novo ethos, distanciando o filão de seu parentesco com o faroeste e aproximando-o de uma elegância noir ainda bruta, mas cheia de charme. E fez tudo isso quando tinha apenas 22 anos e concebeu o argumento de «Arma Mortífera» (1987), com Mel Gibson e Danny Glover.

Naquela época, com a primeira aventura do detetive Martin Riggs e do sargento Roger Murtaugh, Black introduziu no género o conceito do herói kamikaze, cuja disposição para morrer era tão grande quanto a aptidão (e a disposição) para matar. Seu gesto foi exemplar e rendeu frutos como «Assalto ao Aranha-Céus» (1988), com Bruce Willis, redefinindo o conceito do heroísmo na tela grande ao trazer uma fractura psicológica para adicionar tridimensionalidade aos protagonistas. Não por acaso, o Tony Stark playboy e ébrio de Robert Downey Jr. na franquia do Vingador Dourado da Marvel caiu-lhe nas mãos, as de roteirista e as de diretor. E a escolha do estúdio Disney deu certo.

Por quase dez anos, entre 1996 e 2005, o nome dele foi um prenúncio de desastre para os produtores, graças ao fracasso de projetos como «A Fúria do Último Escuteiro» (1991), nos quais gastou-se muito e facturou-se pouco. Para evitar acusações e deboches, ele saiu de cena. Mas resolveu voltar à cena fazendo algo mais do que escrever. Dirigir virou um verbo de ação para Black quando ele resolveu filmar as peripécias de um astro em crise (Downey Jr.) com um detetive gay (Val Kilmer):«Kiss Kiss Bang Bang». Foi uma premissa simples e rápida, para filmar com trocos dos cofres da Warner, mas a encomenda saiu melhor do que se esperava. O projeto não faturou aos tubos, mas virou culto. Dali, ele recebeu o sinal verde para criar como quisesse, sendo até chamado para a TV, via Amazon Studios, para rodar um western: «Edge» (2015).

É hora agora de ver o que os investigadores de «Bons Rapazes» podem fazer pela memória desse prodígio que teve a sabedoria de não desistir – e a sorte de acertar.

 

  • Publicado em Feature

Bons Rapazes - Trailer

«Bons Rapazes» desenrola-se nos anos 1970 em Los Angeles, Holland March (Ryan Gosling) é um detective privado com pouca sorte que se alia ao "capanga" Jackson Healy (Russell Crowe) para deslindar um caso de uma rapariga desaparecida e aparentemente a morte de uma estrela porno que poderá estar ligada ao desaparecimento da jovem. Durante a investigação eles descobrem uma chocante conspiração que chega até aos píncaros do poder político.

A comédia de acção é realizada por Shane Black («Kiss Kiss Bang Bang»). O filme conta com a participação de Kim Basinger, Matt Bomer, Margaret Qualley e Ty Simpkins.

Estreia a 6 de Junho em Portugal

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