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Actualizado às 3:58 PM, Jan 19, 2020

A música de Terrence Malick

O novo filme de Terrence Malick, Song to Song, vai ser revelado a 10 de Março, no festival South by Southwest, na cidade de Austin, Texas. E não é por acaso: com um elenco que inclui Michael Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara e Natalie Portman, anuncia-se como uma teia romanesca tendo por pano de fundo, justamente, a cena musical de Austin — ainda sem data portuguesa, já temos cartaz e trailer.

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La La Land - crítica

Feito por um sonhador para todos os sonhadores, «La La Land: Melodia de Amor» é uma explosão de cores, música e momentos arrebatadores. Damien Chazelle não procura recuperar o musical ou reinventá-lo mas, sobretudo, pretende homenageá-lo nas suas várias vertentes, atribuindo-lhe um ar contemporâneo mas não menos mágico. A história, na sua essência, é simples e pouco ambiciosa, é certo, mas funciona pela forma como é contada. Assim, ficamos a conhecer Sebastian (Ryan Gosling), um pianista jazz à antiga que procura abrir o seu próprio espaço para que o jazz corra puro e sem amarras, e Mia (Emma Stone), uma jovem aspirante a atriz que luta o quanto pode para que alguém a veja no meio da multidão.

Se havia alguma dúvida de que Damien Chazelle era dono de um grande talento após o intenso «Whiplash – Nos Limites» (2014), «La La Land: Melodia de Amor» anula quaisquer reticências acerca do jovem cineasta norte-americano. Como às tantas diz Mia, “as pessoas adoram aquilo que as outras pessoas adoram”, e parece que foi assim que Chazelle nos apanhou na curva, já que nota-se claramente o quanto o cineasta é um fervoroso fã do musical e do jazz, cativando-nos inevitavelmente. No entanto, e como se trata de um musical, o filme resulta de um trabalho multidisciplinar, que vai acertando em vários aspetos: banda-sonora esplendorosa de Justin Hurwitz, que nos cativa à primeira batida, edição cheia de ritmo de Tom Cross e uma Fotografia onírica e inspirada de Linus Sandgren.

Todavia, nada disto resultaria se os protagonistas também não conquistassem. Emma Stone e Ryan Gosling já haviam trabalhado juntos e, em «La La Land: Melodia de Amor», a sua química volta a provar ser inatacável. Stone é absolutamente radiosa e Gosling mostra que tem timing afinado para a comédia, como já o havia feito, aliás, em «Bons Rapazes» (2016). Os dois atores não são dançarinos ou cantores profissionais, o que dá um ar mais prosaico ao filme e não atrapalha o resultado final.

«La La Land: Melodia de Amor» é um musical dos tempos modernos, num pot-pourri de referências cinematográficas mas que também cria novos momentos cheios de impacto – a abertura do filme é só um dos exemplos, marcando o ritmo desde o início para o resto da obra. Doce e amargo, o filme explora a dimensão do sonho e o confronto duro com a realidade, numa história que poder-se-ia passar noutro sítio qualquer, noutra época qualquer, com outros sonhadores. Com as emoções à flor da pele e música contagiante como pano de fundo, «La La Land: Melodia de Amor» é um triunfo.

cinco estrelas

Título Nacional La La Land: Melodia de Amor Título Original La La Land Realizador Damien Chazelle Actores Ryan Gosling, Emma Stone, Rosemarie DeWitt Origem Estados Unidos Duração 128’ Ano 2016

A Queda de Wall Street

O filme de Adam McKay é baseado no trabalho de investigação de Michael Lewis, jornalista do New York Times e da Vanity Fair que analisou de forma compreensiva o colapso financeiro mundial de 2008. Adam McKay assinou uma obra para a posteridade com actores da linha da frente que acreditam piamente nos papéis que desempenham e no impacto que os mesmos têm na pedagogia e esclarecimento do público perante o imbróglio que foi a crise financeira mundial provocada por um esquema criminoso de bancos e investidores em prol do lucro sem dó nem piedade. O registo consegue ser minucioso a nível técnico sem repelir os espectadores com a panóplia de termos financeiros graças a uma narrativa que sabe evoluir em crescendo e relacionar o drama humano com os meandros da alta finança. A história é baseada em situações e personagens verídicas que são peças de um puzzle que forma um evento cinematográfico que, como nenhum outro, retrata a principal crise financeira mundial desde o crash de 1929. É um filme esclarecedor que nos deixa atónitos perante ganância de alguns, ganância que destruiu o sonho de milhões. Uma obra absolutamente imperdível.

cinco estrelas

Título Nacional A Queda de Wall Street Título Original The Big Short Realizador Adam McKay Actores Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling Origem Estados Unidos Duração 130’ Ano 2015

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº43)

La La Land

«Whiplash- Nos Limites», de Damien Chazelle, chegou ao Festival Sundance há dois anos e caiu no goto de toda gente. No seu segundo filme, o jovem realizador chega ao píncaros do consenso. «La La Land» é o filme mais eufórico e belo do cinema americano em muitos anos. Uma pura e inocente homenagem ao género musical que nos conta a história de amor entre um pianista de jazz e uma aspirante a atriz na Los Angeles contemporânea. Emma Stone e Ryan Gosling dançam, cantam e voam numa cidade de sonhos que tantos nos lembra «Do Fundo do Coração», de Francis Ford Coppola, ou o cinema de Jacques Demy, nomeadamente «Os Chapéus de Chuva de Cherburgo». É uma parábola sobre a música que faz girar o mundo, pedindo ao espetado0r apenas uma coisa: que abrace esta exuberância mágica com fé e sem cinismo. «La La Land» é mesmo para os românticos e “para os tolos que choram”, como alguém disse no festival. Estreia em Portugal em janeiro e vai fazer com que os portugueses comecem a sorrir mais...

Bons Rapazes

«Bons Rapazes» assinala o regresso do ultra-talentoso argumentista e realizador norte-americano Shane Black, com um mestrado em buddy cop movies – ele assinou «Arma Mortífera» (1987), «A Fúria do Escuteiro» (1991) e «Kiss Kiss Bang Bang», filme que salvou a carreira a Robert Downey Jr. A variação e cruzamento de géneros é algo que Shane Black domina de olhos fechados. Em «Bons Rapazes» somos levados até uma Los Angeles em convulsão e em polvorosa com a corrupção transversal que vai do fundo do poço até ao topo da cadeia alimentar. Dois detectives privados, interpretados pelos pesos pesados Russell Crowe e Ryan Gosling, unem esforços (apesar de contrariados) para encontrarem uma jovem desaparecida. Os detectives têm à perna assassinos incompetentes e outros mais assertivos. Como pano de fundo temos a indústria porno, muito álcool e alucinogénios à mistura na cidade dos anjos. Neste cenário pouco aconselhável a menores surge precisamente uma adolescente, a filha de um dos detectives, que serve de compasso moral ao pai (Gosling) e figura paternal ao detective (Crowe) que se junta ao clã. Este belíssimo dispositivo narrativo é encarnado por Angourie Rice (lembrem-se do nome!) que adquire vários ritmos seja a sublinhar a amargura, a comédia ou a ternura desta trama. Estes «Bons Rapazes» são na realidade um excelente cruzamento entre o noir, o drama ligeiro e a comédia de acção. Realmente, não falta nada: personagens maduros e bem interpretados, ritmo galopante e atmosfera a que só falta ter cheiro, e ainda temos o bónus de Kim Basinger e a sensação de dever cumprido quando rolam os créditos finais.

cinco estrelas

Título Nacional Bons Rapazes Título Original The Nice Guys Realizador Shane Black Actores Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice Origem Estados Unidos Duração 116’ Ano 2016

 

Blade Runner 2049 - Primeiras imagens Ryan Gosling e Harrison Ford

Trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, um novo blade runner, o agente K da LAPD (Ryan Gosling), descobre um segredo há muito enterrado que tem o potencial de mergulhar o que resta da sociedade no caos. A descoberta de K leva-o na senda para encontrar Rick Deckard (Harrison Ford), um ex-blade runner da LAPD que está desaparecido há 30 anos.

«Blade Runner 2049», um dos filmes mais aguardados de 2017, é realizado por Denis Villeneuve e escrito por Michael Green («Logan», «Alien: Covenant») e Hampton Fancher (argumentista do Blade Runner original) conta com a direção de fotografia de Roger Deakins. O elenco além Ryan Gosling e Harrison Ford inclui Mackenzie Davis, Jared Leto, Dave Bautista, Carla Juri, Barkhad Abdi e Robin Wright.

«Blade Runner 2049» estreia a 6 de outubro de 2017.

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Denis Villeneuve

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Harrison Ford

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Denis Villeneuve, Ridley Scott, Harrison Ford e Ryan Gosling

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Harrison Ford e Ryan Gosling (foto EW)

La La Land - Antevisão

São muitos os motivos para ver «La La Land». Comecemos pelo realizador, Damien Chazelle, que fez verdadeira magia com um pequeno filme que ganhou contornos de ouro, «Whiplash – Nos Limites» (2014). Começou por estrear no Festival de Cinema de Sundance, passando depois por muitos outros, destacando-se a presença em Cannes e Toronto. Mas a verdadeira surpresa chegou com os Óscares, em que o filme venceu três estatuetas douradas, incluindo o de Melhor Ator Secundário para J.K. Simmons. Portanto, agora a pressão é muita para o jovem realizador norte-americano de 31 anos, que se lança num projeto bem mais ambicioso mas, mais uma vez, com a música como pano de fundo, naquele que é o seu terceiro filme.

Tal como o nome faz alusão, «La La Land» passase em Los Angeles e trata-se de um musical, na linha dos grandes musicais da MGM, segundo o realizador. Para esta empreitada, Chazelle aposta muito nos atores, garantindo uma nova parceria da dupla Ryan Gosling e Emma Stone, que já contracenaram com sucesso em «Amor, Estúpido e Louco» (2011) e «Força Anti-Crime» (2013). Os dois substituem Milles Teller e Emma Watson, que seriam, numa fase inicial do projeto, os protagonistas.

O argumento de «La La Land», da autoria de Chazelle, tem já alguns anos e remonta à altura em que o cineasta era um jovem artista e procurava encontrar o seu caminho profissional. O filme tinha estreia prevista para este verão, mas acabou por ser adiado para dezembro, a piscar o olho aos prémios, o que mostra a aposta da Lionsgate na obra. «La La Land» foi o filme de abertura do Festival de Cinema de Veneza, sendo que, nos últimos anos, «Gravidade» (2013) e «Birdman» (2014) abriram o Festival e venceram o Óscar de Melhor Filme, sendo que «O Caso Spotlight», o último vencedor nessa categoria, teve a sua estreia nesse Festival. «La La Land» encaminha-se para que um musical volte a brilhar em toda a sua plenitude.

HISTÓRIA
Sebastian (Ryan Gosling), um pianista, e Mia (Emma Stone), uma aspirante a atriz, apaixonam-se, tendo como palco a cidade de Los Angeles.
REALIZADOR:
DAMIEN CHAZELLE («Whiplash - Nos Limites»,
2014)
ELENCO:
EMMA STONE, RYAN GOSLING, J. K. SIMMONS, JOHN LEGEND
DATA DE ESTREIA PREVISTA:
26 DE JANEIRO 2017 (PORTUGAL)

Bons Rapazes

Um buddy cop movie como já raramente se vê em Hollywood, «Bons Rapazes» diverte e desanuvia, reavivando um género que ainda tem trunfos na manga. A história rocambolesca junta um detetive privado atrapalhado e amargurado, Holland March (Ryan Gosling), e um brutamontes de coração mole, Jackson Healy (Russell Crowe). A dupla improvável terá um caso complexo por deslindar, contando ainda com a (preciosa) ajuda de Holly (Angourie Rice), a filha de March, que tem um faro apurado.

Shane Black volta - e em boa hora - a um género onde já foi feliz (falamos do espirituoso «Kiss Kiss Bang Bang», 2005), após um confuso «Homem de Ferro Três» (2013). Cheia de dinamismo e planos na mouche, a realização de Black aproveita o melhor da química dos atores, mantendo a atenção do espectador, apesar de um argumento mais murcho. Este é, aliás, o calcanhar de Aquiles da obra. Apesar de um início pujante e promissor, o ritmo vai-se esbatendo enquanto os minutos vão passando e a narrativa vai-se afogando em si mesma.

Todavia, o que vai mantendo a chama viva é o trio de atores: um Gosling inspiradíssimo, que rende as melhores cenas do filme, numa parelha inusitada e divertida com Crowe. Na comédia, o timing é essencial e ambos são certeiros. A jovem Angourie Rice também surpreende e consegue mesmo impor-se em alguns momentos. A banda-sonora está bem escolhida e adaptada à época retratada, os criativos e fervorosos anos 1970. A direção artística passa com nota positiva o desafio, o mesmo já não se podendo dizer da fotografia, que fica um pouco aquém.

«Bons Rapazes» é um filme despojado e reúne, em doses moderadas, comédia e ação, não sendo propriamente inesquecível, mas conseguindo ser arrojado e até provocador em alguns momentos. A obra releva-se, sobretudo, pela sua simplicidade. Numa altura em que Hollywood se entrega aos efeitos especiais, «Bons Rapazes» deixa isso de lado e aposta tudo na intensidade dos seus protagonistas, uma dupla que bem podia continuar a dar ao Cinema mais algumas aventuras.

quatro estrelas

Título Nacional Bons Rapazes Título Original The Nice Guys Realizador Shane Black Actores Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice Origem Estados Unidos Duração 116’ Ano 2016

 

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