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Actualizado às 10:22 PM, Nov 12, 2019

A Lenda do Dragão

A Disney é mestre em contar histórias emocionais com um toque aspiracional e «A Lenda do Dragão» é exemplo disso, numa obra que enche de magia o grande ecrã. Pete (Oakes Fegley/Craig Hall) é um menino órfão que tem como melhor amigo Elliot, um enorme dragão verde com olhos amarelos e asas que o protege contra tudo. Um dia, Pete é visto por outros humanos, que irão fazer de tudo para capturar Elliot.

«A Lenda do Dragão», de David Lowery, é a nova versão de «Meu Amigo o Dragão» (1977), de Don Chaffey, nomeado para 2 Óscares nas categorias de Melhor Música e Melhor Banda-Sonora Original. Robert Redford e Bryce Dallas Howard são os principais nomes no elenco desta história recontada que não perdeu a ternura com o tempo.

| TVCine 1 | 24 de março | 21h30

POR AQUI E POR ALI

Baseado no best-seller de Bill Bryson, “A Walk in the Woods” coloca em cena dois grandes actores, Robert Redford e Nick Nolte. Bill Bryson (Robert Redford) é um escritor de viagens que está a marinar há vários anos e decide libertar-se da esposa e dos netos e embarcar num percurso pedonal de 3500 quilómetros da cordilheira Apalache que vai da Geórgia até ao Maine nos Estados Unidos. Na viagem leva Stephen Katz (Nick Nolte), um amigo inesperado, um velho companheiro das aventuras na Europa quando eram mais jovens. Bill perdeu o contacto com Stephen e despojou a sua vida com o álcool e as mulheres. Os dois homens apesar da sua idade avançada embarcam no percurso contra todas as expectivas de o terminarem com o seu passo de caracol. O filme infelizmente também mantém esse ritmo, intercala a viagem com cruzamentos com desconhecidos, uns mais felizes do que outros, que servem sobretudo de dispositivo de humor. Salva-se o cenário e alguns diálogos mais profundos de balanço das suas vidas, Nick Nolte por ter o personagem mais modelado está melhor em cena. É um daqueles casos em que o livro e a própria aventura deverão ser mais inspiradores, o filme tem a sua simpatia e serve para se desfrutar a paisagem e os dois bons interpretes que fazem este percurso narrativo com um pé atrás das costas.

duas estrelas

Título Nacional Por Aqui e Por Ali Título Original A Walk in the Woods Realizador Ken Kwapis Actores Robert Redford, Nick Nolte, Emma Thompson Origem Estados Unidos Duração 104’ Ano 2016

 

Verdade

O mínimo que se pode dizer desta excelente estreia na realização de James Vanderbilt é que o “cinema liberal” de Hollywood está vivo — e bem vivo. “Liberal”, entenda-se, não designa aqui um espaço partidário, mas sim uma visão ética e estética através da qual os filmes arriscam questionar os fundamentos, e também o funcionamento, das instituições democráticas.

Esta é a história de um equívoco que abalou o espaço televisivo dos EUA, conduzindo mesmo ao afastamento da CBS de Dan Rather, símbolo universal do próprio jornalismo. Em termos esquemáticos, importa recordar que tudo passou por um logro em que Rather (Robert Redford) e a sua produtora Mary Mapes (Cate Blanchett) se viram enredados quando, em 2004, no programa “60 Minutos”, utilizaram documentos — sobre o passado militar do Presidente George W. Bush — cuja veracidade veio a ser posta em causa...

Prolongando uma tradição que pode ser sinalizada por «Os Homens do Presidente» (1976), de Alan J. Pakula, sobre o escândalo Watergate e o afastamento do Presidente Richard Nixon (curiosamente, também com Redford num dos papéis principais), «Verdade» não é apenas um filme sobre a tensão entre verdade e mentira. Através da discussão da legitimidade dos documentos divulgados em “60 Minutos”, deparamos com as nuances do próprio efeito de verdade que a televisão produz, pode produzir ou mascarar.

O mais espantoso no filme de Vanderbilt — também responsável pelo respectivo argumento, escrito a partir do livro “Truth and Duty: The Press, the President, and the Privilege of Power” (2005), de Mary Mapes — é a sua capacidade de nos fazer ver/sentir que a arquitectura da verdade pode envolver tanto de revelação como de ocultação. Deparamos, assim, com uma dinâmica colectiva em que a televisão oscila entre a condição de espelho social e as ambiguidades de um sistema (de ver e ouvir) que nunca se esgota naquilo que preenche os seus ecrãs.

Tendo em conta que um filme da mesma família ideológica — «O Caso Spotlight», de Tom McCarthy — foi o principal vencedor dos Oscars referentes a 2015, importa sublinhar que estamos perante uma tradição narrativa que não desiste de observar o mundo à sua volta, resistindo também a diluir-se nas rotinas de heróis, super-heróis e afins. Em boa verdade, só podemos lamentar que «Verdade» não tenha chegado, pelo menos, às nomeações da Academia de Hollywood. 

quatro estrelas

Título Nacional Verdade Título Original Truth Realizador James Vanderbilt Actores Cate Blanchett, Robert Redford, Dennis Quaid Origem Estados Unidos/Austrália Duração 125’ Ano 2015

(Publicado originalmente na Metropolis nº37)

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