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Actualizado às 11:37 PM, Nov 4, 2019

Extremamente Alto, Incrivelmente Perto

O realizador britânico Stephen Daldry (O Leitor, As Horas) aborda o vazio na memória provocado pela perda abrupta de um ente querido. Neste caso a ferida aberta do 11 de Setembro é revista através de uma criança (especial) que vê o mundo de uma perspectiva única. Oskar (Thomas Horn) perdeu o pai nos atentados do World Trade Center (Hanks interpreta o pai de Oskar, e está igual a si mesmo). A manhã do pior dia da sua vida atormenta a existência de Oskar a cada instante, a forte relação com o pai impede-o de viver sem respostas para acções que não fazem sentido. O protagonista é uma criança com necessidades especiais que a parte das “fobias” do mundo real também possui dons de observação e inteligência que o diferem de alguém da sua idade. A descoberta de uma “pista”, um ano após a morte do pai, leva-o a palmilhar Nova Iorque à procura de um sinal. Uma expedição que o torna mais próximo do falecido pai e cada vez mais distante da mãe (Sandra Bullock) que lida igualmente com a tragédia, e o distanciamento do filho. Uma interpretação pequena mas bem acentuada por parte de Bullock. A segunda metade do filme é marcada pela masterclass de Max Von Sydow, no desempenho paradoxal do misterioso inquilino da sua avó que é um homem mudo que representa alguém com quem Oskar pode expressar livremente os seus sentimentos. Uma nota também para o pequeno mas não menos belo papel de Viola Davis.

O destaque interpretativo vai para Thomas Horn, uma criança sem experiência de representação e que teve entre mãos um papel complicado. Horn demonstrou coragem, dedicação e tenacidade, espera-se que continue a explorar a arte da representação. A realização de Stephen Daldry não se perde no enigma narrativo preferindo desenvolver a vertente profundamente humana da tragédia através de várias cenas a solo onde a observação da dor profunda dilui-se na poesia da imagem. Mais uma vez, após Billy Elliot (2011), Daldry revela o seu dom para trabalhar com jovens actores.

A edição em DVD da Warner/ZON Lusomundo contém um extra - Finding Oskar (7´), revela-nos Thomas Horn, e como ele se tornou actor após ter sido descoberto num concurso televisivo pela produção do filme. Segundo o elenco, Horn é uma fonte de informação e estimulação. O realizador recorda, “Horn sabia o que estava a fazer e tinha uma metodologia”, ele não era um actor mas tinha os instintos correctos, não ficou intimidado nem teve dificuldade em encontrar o “momento”.

tres estrelas

Título Nacional Extremamente Alto, Incrivelmente Perto Título Original Extremely Loud & Incredibly Close Realizador Stephen Daldry Actores Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock Origem Estados Unidos Duração 129’ Ano 2016

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº0.5)

 

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