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Actualizado às 11:21 PM, Dec 4, 2019

Café Society

50 anos. 47 filmes. Será que a matemática pode auxiliar uma crítica em apuros? Vista à luz da última década e meia, a longa e profícua carreira de Woody Allen parece, cada vez mais, aproximar-se de uma permutação simples. Estarão esgotados os diferentes arranjos que deram forma a perfeitos triângulos, quadrados ou mesmo pentágonos amorosos?

Marca indelével do Autor, esta visão trágico-cómica das relações, da vida como uma eterna dança de cadeiras, onde a sorte e o timing ditam o destino de cada um, sustenta o esqueleto narrativo de «Café Society». A luz dourada com que Vittorio Storaro banha as personagens e os cenários faustosos de Hollywood na década de 30 ajuda um pouco a iluminar uma história de tons pardos. Vindo de Bronx, Bobby (Jesse Eisenberg) é um jovem ambicioso que procura em Los Angeles uma oportunidade de singrar na vida. O seu tio, Phil (Steve Carell), um poderoso agente com uma carteira de clientes recheada de estrelas, oferece-lhe não só um emprego no showbiz como também lhe apresenta a mulher por quem ele se vai apaixonar, a mulher que lhe vai partir o coração: Vonnie (Kristen Stewart).

Jesse Eisenberg faz um trabalho espantoso ao dar vida própria à personagem que interpreta conseguindo descolar-se do papel de avatar de Allen a que parecia fadado – como Owen Wilson em «Meia-Noite em Paris» (2011) – enquanto finta, com grande habilidade, umas quantas linhas menos felizes do argumento – algo que até o talentosíssimo Joaquin Phoenix fracassou em «Homem Irracional» (2015). Já Kristen Stewart, que com a sua atitude blasé parece ter encantado a imprensa internacional, parece-me a mim sofrer demasiado com a caracterização e figurinos de menina, de bandelete, lacinhos e meias brancas. A voz de Allen como narrador omnisciente sobrepõe-se a tudo isto – à fotografia, às interpretações –, com pouco proveito e, até certo ponto, funcionando como uma barreira que impede um maior envolvimento emocional do espectador.

Comparar «Café Society» com outras obras maiores da carreira de Woody Allen é tentador. É inevitável não ver neste filme, como em «Blue Jasmine» (2013), um certo desencanto, uma tristeza fina que se impõe como nota dominante onde antes reinava uma espécie original de sarcasmo optimista. O entusiasmo e a expectativa nem por isso nos abandona quando o 48.º filme já espreita à esquina.

tres estrelas

American Ultra: Agentes Improváveis

Jesse Eisenberg é a estrela de «American Ultra: Agentes Improváveis», o actor mostra uma nova faceta no seu arsenal interpretativo num desempenho a la Jason Bourne de um personagem que “desperta” do seu dia-dia pacato de “junkie” numa vilória no meio dos Estados Unidos para se transformar inesperadamente numa máquina de guerra. Após uma lavagem cerebral Mike Howell (Jesse Eisenberg) vive com a sua namorada Phoebe Larson (Kristen Stewart), dois "junkies" super apaixonados que nunca conseguem concretizar os seus sonhos de viajar para outras paragens porque Mike tem ataques de pânicos que o impedem de entrar num avião. Quando o programa de proteção de Mike está prestes a ser eliminado por um psicopata da CIA (Topher Grace) desejoso de marcar pontos, a agente de controlo de Mike tem outros planos e acorda o seu activo para se defender da batalha que estás prestes a começar. O grande espectáculo pirocténico e assassinos altamente treinados começam a desaguar na pequena cidade onde são reveladas algumas surpresas como a verdadeira identidade da namorada de Mike e os instintos de matador do “junkie” que inocentemente só deseja paz, sossego, matrimónio e mais uma passa... Kristen Stewart continua a ser a melhor actriz do mundo a dar cartas com o seu ar de puro desinteresse e Jesse Eisenberg surpreende, é a marca de um bom actor. Um original filme de acção escrito por Max Landis («Crónica») e realizado por Nima Nourizadeh («Projecto X: Fora de Controlo»).

tres estrelas

Título Nacional American Ultra: Agentes Improváveis Título Original American Ultra Realizador Nima Nourizadeh Actores Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Connie Britton Origem Estados Unidos Duração 96’ Ano 2015

Cannes - «I, Daniel Blake» vencedor da Palma de Ouro

A 69º edição do Festival de Cannes chegou ao fim no Palácio dos Festivais nesta noite de domingo. O filme de Ken Loach «I, Daniel Blake» venceu a Palma de Ouro, o prémio foi apresentado por Mel Gibson. O filme relata a história de duas pessoas enredadas no sistema de segurança social britânico.

O cineasta britânico, que venceu a Palma de Ouro com «Brisa de Mudança» em 2006, fez um discurso apaixonado sobre o estado da economia e o sistema político e social europeu ao receber o galardão afirmou “O mundo está num ponto perigoso, com a austeridade impulsionada pelos ideais do neo-liberalismo que nos colocaram à beira de uma catástrofe, trazendo graves dificuldades a muitas pessoas a Este na Grécia e a Oeste em Portugal e Espanha, e também trouxe uma fortuna grotesca a uma pequena minoria”. Ainda acrescentou “ Há um perigo do desespero nas pessoas que poderá ser aproveitado pela extrema direita. Alguns de nós, que somos suficientemente velhos, sabemos o que é isso. Por isso devemos dizer que é possível agir de outra forma, é necessário e possível termos outro mundo.”

Estiveram 21 filmes em competição na última semana e meia, cobertura total na próxima edição da METROPOLIS com os quatro colaboradores da revista presentes em Cannes.

«Juste la fin du Monde» de Xavier Dolan venceu o prémio Grand Prix. O filme do canadiano Xavier Dolan conta com a participação de Marion Cotillard, Lea Seydoux e Vincent Cassel, retrata a história de uma jovem que regressa a casa para informar à família que está a morrer.

O prémio do júri foi atribuído à britânica Andrea Arnold por «American Honey», a sua primeira produção americana. O filme conta com a participação de Sasha Lane, Shia LaBeouf e Riley Keough.

Dois cineastas partilharam o prémio de realização, o romeno Cristian Mungiu com «Bacalaureat» e Olivier Assayas por «Personal Shopper». Cristian Mungiu realiza uma história sobre um pai que deseja que a sua filha ingresse numa universidade britânica a qualquer custo. Oliver Assayas dirigiu Kristen Stewart em «Personal Shopper», a actriz americana interpreta uma mulher que é uma médium e procura o seu falecido irmão gémeo.

A actriz Jaclyn Jose, a protagonista de «Ma' Rosa», venceu o prémio de Melhor Actriz. O filme foi realizado pelo filipino Brillante Mendoza. O prémio de Melhor Actor foi para Shahab Hosseini, a estrela de «Forushande» de Asghar Farhadi. O realizador iraniano também venceu o prémio de Melhor Argumento.

O prémio Camera d’Or, que distingue a melhor obra de estreia, foi para «Divines», de Houda Benyamina que se estreou na Quinzena dos Realizadores.

«Timecode» de Juanjo Gimenez, venceu o prémio de Melhor Curta Metragem e a curta «A Moça que dançou com o Diabo», do brasileiro João Paulo Miranda Maria, recebeu uma distinção especial.

A Palma de Ouro honorária foi entregue a Jean-Pierre Leaud, um dos grandes rostos da Nova Vaga, o actor francês participou num espaço de vinte anos na série de filmes dirigidos François Truffaut que se iniciou com o clássico «400 Golpes» na interpretação de Antoine Doinel. Jean-Pierre Leaud colaborou também com outros nomes da Nova Vaga como Jean-Luc Godard (em nove filmes), Jean Eustache, Jacques Rivette e Agnès Varda.

O júri do festival foi constituído por George Miller (presidente), Kirsten Dunst, Mads Mikkelsen, Vanessa Paradis e Donald Sutherland.

Cannes 2016 - filmes em competição «Personal Shopper»

Dois anos depois de «As Nuvens de Sils Maria», Olivier Assayas regressa à competição de Cannes com um filme cujo elenco volta a integrar Kristen Stewart — agora, a actriz americana interpreta uma jovem que trabalha no mundo da moda, em Paris, surgindo no seu dia a dia uma dimensão fantástica ligada ao desaparecimento do seu irmão gémeo... Uma vez mais, Assayas acumula as tarefas de realização e escrita de argumento [video: imagens da rodagem produzidas pela StormShadow].

Título Original Personal Shopper Realizador Olivier Assayas Actores Kristen Stewart, Anders Danielsen Lie, Lars Eidinger Origem França Duração n.d. Ano 2016

personal shopper

Kristen Stewart em «Iguais» - trailer

Numa sociedade distópica onde não há lugar a emoções um casal desperta da sua doença e começa a adquirir os seus sentimentos colocando-os em rota de colisão com a sociedade onde vivem.

Título Nacional Iguais Título Original Equals Realizador Drake Doremus Actores Kristen Stewart, Nicholas Hoult, Guy Pearce Origem Estados Unidos Duração 101’ Ano 2015

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