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Actualizado às 12:33 AM, Nov 18, 2019

The Night Of - John Turturro em entrevista

John Turturro é um dos principais protagonistas de «The Night Of», uma das grandes séries de 2016 que estreou no canal TVSéries. Produzida pela HBO, foi concebida como um projecto a ser protagonizado pelo falecido James Gandolfini — inspira-se num original da BBC e tem escrita de dois consagrados argumentistas americanos, Richard Price («A Cor do Dinheiro») e Steven Zaillian («A Lista de Schindler»). 

Pode descrever quem está a interpretar?
John Turturro: O John Stone é um advogado de defesa. Normalmente lida com pequenos crimes como roubos e prostituição. Normalmente não defende crimes graves, como homicídios, ele não tem estômago para isso. Ele é uma pessoa muito capaz, pelo menos na minha mente, mas talvez tenha perdido um grande caso e nunca conseguiu recuperar disso e não é capaz de compartimentalizar os sentimentos sobre isso. Ele é cínico. Não acredita no sistema. Prefere fazer um acordo do que arriscar a levar um caso perante um júri. Tem uma vida decente mas tem o potencial de ser um grande advogado. Ele é um naufrágio humano. Está em convulsão mas no interior, penso eu, há uma pequena parte de si que continua a ser idealista.

O que acontece quando ele conhece o Naz? Os seus motivos são puros ou vê apenas os dólares?
J.T.: Há uma conexão instintiva face ao rapaz. É claro que está à procura de trabalho mas sente que algo o afecta – e talvez seja algo mais nele do que no rapaz acusado. Penso que isso acontece na vida real. Muitas pessoas se tornam amigas desta forma, sentem-se atraídas dessa forma. Estabeleceu-se uma conexão instantânea. Ele conecta com o rapaz e conhece-o, fica surpreendido, encorajado e desapontado. Ele tem muitos altos e baixos. Em certa medida ele é um homem comum.

O Stone diz no primeiro episódio que a verdade não tem significado quando se pretende vencer um caso. Mas no interior pensa que o Naz poderá ser culpado?
J.T.: Talvez inicialmente ele tenha a sensação que este miúdo não deveria ter estado naquele lugar mas isso não significa que ele tenha a certeza. Nunca o representei com certezas absolutas. Ele sabe que as pessoas dizem o que for preciso. E isso não é necessariamente a verdadeira pessoa, é apenas a máscara que a pessoa apresenta ao mundo. As pessoas estão sempre a interpretar versões de si mesmas e talvez aja uma pessoa louca ou solitária por detrás daquela face portanto ainda não decidi [se o Naz é culpado ou não] embora soubesse a partir dos argumentos o caminho que o meu personagem tem de seguir. Sabia pelos argumentos o que se estava a passar. E também, é aquilo que obtemos da interpretação do outro actor, e a realidade, é que encaixamos perfeitamente.

Já houve grandes interpretações de advogados na televisão e no cinema. O que o motivou neste personagem?
J.T.: Quando vemos alguém que tem medo de ser bom e que só defende casos menores, uma disputa, uma prostituta, um ladrão, um chulo...porque não se quer envolver nos casos mais complicados porque afirma, “não quero ser responsável de alguém ser preso para o resto da vida.” Isso explica sobre a sua psique. Sabes quando o Paul Newman estava em «O Veredicto» [1982]? Foi um dos filmes que vi e passei-me completamente. Bem, todos estavam bem no filme mas vemos esse personagem que pode ser aquilo que deveria ser há muito tempo. O Stone é assim – é um tubo de ensaio de problemas humanos.

Que tipo de pesquisa fez para este desempenho?
J.T.: Esse é um dos meus prazeres, fazer a pesquisa. Gosto de fazer um documentário. Encontro-me com pessoas, gravo-as, entrevisto-as, vou ao tribunal, observo-as e vejo se elas conseguem-se revelar. Depois queremos ter tempo para pensar nisso e olhar para isso. Também conheço o Steve [Zallian] e conheço o Richard [Price] e há muito do Richard no personagem, como o sentido de humor. Conheço o Richard e os seus ritmos e isso é importante para mim.

«The Night Of» foi praticamente todo rodado nas localizações reais em Nova Iorque. Isso influenciou a performance?
J.T.: Penso que às vezes influencia. Às vezes queremos olhar para o exterior. Por vezes o interior de um estúdio pode ser limitativo. Por vezes filmamos melhores cenas num estúdio mas para isso é preciso imbuir vida no interior do estúdio. E também tivemos grandes cenários – Rykers era um set mas se faz-nos sentir de um certo modo então está tudo OK.

A série é um thriller sobre quem é o culpado – mas representa o quê?
J.T.: Penso que representa o custo de entrar no sistema judicial. Penso que é sobre o sistema e o custo humano para os acusados, as pessoas que o defendem, as pessoas que o acusam, as pessoas que o investigam e para as famílias envolvidas. É sobre isso e depois o que sobra e a forma como nos altera a partir desse momento. É sobre o sistema – e o custo humano.

Minha Mãe

Nanni Moretti volta a desdobrar-se numa multiplicidade de funções no seu último trabalho, «Minha Mãe», mas oferece a ribalta à magnífica Margherita Buy que como protagonista incute a perspectiva feminina ao drama de uma morte anunciada. O filme é um soberbo estudo sobre a dor e a perda de um ente querido. A obra foi baseada na memória do próprio Nanni Moretti que sofreu com a doença da mãe enquanto filmava «Habemos Papam». O filme lida com uma crise pessoal e a negação de Margherita (Margherita Buy) face à doença terminal da mãe (Giulia Lazzarini). Margherita é uma realizadora que está a meio da rodagem de uma obra com conteúdo político-social e que tem entre o elenco uma estrela americana manienta. Um papel interpretado por John Turturro, que parece ligado à corrente, num dos seus melhores desempenhos dos últimos tempos. Margherita lida ainda com a separação do seu namorado, com a filha adolescente (Beatrice Mancini) que tem maus resultados na escola e o irmão (Nanni Moretti) que abandona o trabalho para estar junto da mãe hospitalizada. Os personagens são reais e as situações verossímeis, é uma obra que não desaparece da nossa memória, e será por certo desconcertante para todos aqueles que passaram por algo semelhante. No seu coração está uma verdadeira antologia sobre a mortalidade como só Nanni Moretti sabe descrever. Bravíssimo!.

cinco estrelas

Título Nacional Minha Mãe Título Original Mia madre Realizador Nanni Moretti Actores Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini Origem Itália/França/Alemanha Duração 106’ Ano 2015

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº29)

«The Night Of» - John Turturro na série da HBO

Em «The Night Of» argumentista de «A Lista de Schindler», Steve Zaillian, junta-se ao argumentista veterano da série de culto «The Wire» Richard Price para o remake da série da BBC «Criminal Justice». A série teria como protagonista James Gandolfini, mas após a sua morte, John Turturro assumiu o papel principal, um advogado de defesa que tem como missão defender um cliente paquistanês (Riz Ahmed) acusado de assassinar uma mulher nova-iorquina.

A série limitada de oito episódios estreia na HBO norte-americana a 10 de Julho.

  • Publicado em TV
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