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Actualizado às 8:37 AM, Jun 18, 2019

Netflix - Escolhas Metropolis (13 de Junho)

Entre sardinhas e festas pela noite fora próprias da época, há também lugar para muita emoção e surpresas na Netflix Portugal. Nas sugestões desta semana da METROPOLIS, apresentamos-lhe o regresso de uma série muito aguardada, um filme de culto e outras produções que prometem horas de excelente ficção.


Novidades
«Orange is the New Black»
Série-sensação dos últimos anos, «Orange is the New Black», uma produção original da Netflix, chega à sua 5.ª temporada e os novos 13 episódios estão todos disponíveis no catálogo da Netflix Portugal.

A série gira em torno de Piper Chapman (Taylor Schilling), condenada a cumprir 15 meses numa prisão feminina federal por transportar uma mala de dinheiro proveniente de tráfico de drogas. Na nova temporada, o enfoque é o motim das prisioneiras, num misto de violência e emoções à flor da pele. «Orange is the New Black» já venceu quatro Emmys e foi nomeada para seis Globos de Ouro.

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«Máquina de Guerra»
Num filme original Netflix, «Máquina de Guerra» é uma comédia negra realizada por David Michôd («Reino Animal», 2010) e com Brad Pitt no papel principal. O ator norte-americano interpreta um general orgulhoso que é incumbido de ganhar uma guerra impopular, tendo como principal inimigo a sua própria arrogância. Uma obra que explora as políticas de um conflito bélico, «Máquina de Guerra» tem também no elenco Ben Kingsley e Tilda Swinton.

Homeland


Maratona da Semana

«Segurança Nacional»
Uma série em jeito de thriller político, «Segurança Nacional» foca-se na história de Carrie Mathison (Claire Danes), uma analista da CIA que precisa de lidar com a sua bipolaridade enquanto embarca na guerra contra o terrorismo. A produção é baseada na série israelita «Hatufim», criada por Gideon Raff. O enredo inicial da série passava por Carrie acreditar que Nicholas Brody (Damien Lewis), um sargento prisioneiro de guerra, passara para o lado inimigo e se tornara num risco para a segurança nacional.
«Segurança Nacional» venceu seis Emmys e cinco Globos de Ouro, incluindo Melhor Série Dramática, Melhor Atriz e Melhor Ator. Pode ver ou rever as cinco primeiras temporadas na Netflix Portugal.

Agora na Netflix
«Jessica Jones»
Jessica Jones foi, em tempos, uma super-heroína, mas que decidiu mudar de vida e tornar-se numa detetive privada. Todavia, o seu passado sombrio e traumático não a larga e Jessica precisará de usar os seus superpoderes para encontrar o seu perseguidor antes que ele faça mais estragos. A série, muito elogiada por crítica e fãs, foi criada por Melissa Rosenberg e é protagonizada por Krysten Ritter. «Jessica Jones» faz parte do Universo Cinematográfico Marvel e segue-se a «Daredevil», numa série de produções de super-heróis que culminará no crossover «Os Defensores».

2001 A Space Odyssey

«2001: Odisseia no Espaço» (1968)
É um dos clássicos da História do Cinema, um filme de culto incontornável. Falamos de «2001: Odisseia no Espaço», escrito e realizado por Stanley Kubrick, numa obra épica que acompanha a jornada de dois astronautas que têm de lidar com o avançado sistema do inteligente computador da sua nave enquanto investigam o aparecimento de estranhos monólitos por todo o Espaço. O filme foi nomeado para quatro Óscares, tendo vencido na categoria de Melhores Efeitos Visuais.

tom cruise

Figura da Semana: Tom Cruise
Um mestre nas cenas de ação, Tom Cruise não se poupa a esforços para surpreender o público, recorrendo a duplos só mesmo quando é imperativo. O ator norte-americano está atualmente nas salas portuguesas com o reboot «A Múmia», tendo uma carreira diversificada e que já conta com três nomeações para os Óscares: Melhor Ator Principal por «Nascido a 4 de Julho» (1989) e «Jerry Maguire» (1996), e Melhor Ator Secundário por «Magnolia» (1999).

«Tempestade Tropical» (2008)
Ben Stiller realiza e protagoniza uma comédia inusitada e provocadora, em que três grandes estrelas de Hollywood pensam que estão a fazer um filme de guerra quando, na verdade, muito mais se passa. O elenco é de luxo, com Robert Downey Jr., Jack Black e, claro, Tom Cruise, que tem uma participação pequena mas absolutamente inesquecível.

the firm

«A Firma» (1993)
Em mais um drama marcante da sua carreira, Tom Cruise interpreta um advogado recém-formado em Harvard que é contratado para uma grande empresa, sem desconfiar do lado obscuro da instituição. Gene Hackman, Holly Hunter e Ed Harris fazem também do elenco de «A Firma», uma obra de Sydney Pollack que foi nomeada para os Óscares de Melhor Atriz Secundária (Holly Hunter) e Melhor Banda-Sonora.

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Brad Pitt em «War Machine» da Netflix

«War Machine» baseia-se no livro “The Operators: The Wild and Terrifying Inside Story of America's War in Afghanistan”, lançado em 2012, da autoria do jornalista Michael Hastings. A obra revela os pormenores das viagens que Hastings partilhou com o General Stanley McChrystal e a sua equipa, em abril de 2010. Para interpretar o General foi escolhido um dos atores mais disputados de Hollywood, Brad Pitt, já nomeado três vezes para os Óscares nas categorias de interpretação, mas acabaria por ser enquanto produtor que venceria o galardão, graças ao visceral «12 Anos Escravo» (2013). Muito versátil, o ator já surpreendeu na comédia e no drama, pelo que a sua performance neste filme é especialmente apelativa. Pitt é também um dos produtores do filme.

war machine 1

O australiano David Michôd assume a dupla função de argumentista e realizador de «War Machine», depois de ter impressionado com a sua primeira longa-metragem, «Reino Animal». O cineasta realizou depois outro filme, «The Rover - A Caçada» (2014), protagonizado por Guy Pearce e Robert Pattinson, além de episódios das séries «Uma Vida Nova» e «Flesh and Bone». Intensidade e alguma negritude dramática são alguns dos aspetos que marcam a realização de Michôd. Os direitos de «War Machine», cujas filmagens decorreram já em 2015 em Abu Dhabi e em Inglaterra, foram adquiridos pela Netflix pelo valor considerável de 60 milhões de dólares. Além do protagonista, o filme incorpora um elenco sólido. Falamos de Emory Cohen, Scott McNairy, Tilda Swinton e Ben Kingsley.

História: Uma sátira da intervenção norte-americana no Afeganistão com especial enfoque nas pessoas que geriam a operação militar.
Realizador: David Michôd («Reino Animal», 2010; «The Rover - A Caçada», 2014)
Elenco: Brad Pitt, Ben Kingsley, Tilda Swinton
Estreia na Netflix a 26 de maio de 2017

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A Queda de Wall Street

O filme de Adam McKay é baseado no trabalho de investigação de Michael Lewis, jornalista do New York Times e da Vanity Fair que analisou de forma compreensiva o colapso financeiro mundial de 2008. Adam McKay assinou uma obra para a posteridade com actores da linha da frente que acreditam piamente nos papéis que desempenham e no impacto que os mesmos têm na pedagogia e esclarecimento do público perante o imbróglio que foi a crise financeira mundial provocada por um esquema criminoso de bancos e investidores em prol do lucro sem dó nem piedade. O registo consegue ser minucioso a nível técnico sem repelir os espectadores com a panóplia de termos financeiros graças a uma narrativa que sabe evoluir em crescendo e relacionar o drama humano com os meandros da alta finança. A história é baseada em situações e personagens verídicas que são peças de um puzzle que forma um evento cinematográfico que, como nenhum outro, retrata a principal crise financeira mundial desde o crash de 1929. É um filme esclarecedor que nos deixa atónitos perante ganância de alguns, ganância que destruiu o sonho de milhões. Uma obra absolutamente imperdível.

cinco estrelas

Título Nacional A Queda de Wall Street Título Original The Big Short Realizador Adam McKay Actores Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling Origem Estados Unidos Duração 130’ Ano 2015

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº43)

Zemeckis + Pitt + Cotillard

Subitamente, com assinatura de Robert Zemeckis, um grande retorno aos valores do melodrama de guerra — este texto foi publicado no Diário de Notícias (30 Novembro), com o título 'Melodrama de guerra renasce com Brad Pitt e Marion Cotillard'.

Será que neste nosso admirável mundo global até mesmo um filme como Casablanca, realizado por Michael Curtiz em 1942, já começou a ser desconhecido da maior parte dos espectadores? A pergunta não é banalmente nostálgica, mas visceralmente cultural. A saber: será que até mesmo a nobreza clássica de Hollywood está a ser esmagada por uma noção de cinema popular que se esgota em Harry Potter e seus companheiros mais ou menos monstruosos? Vem isto a propósito de alguém, Robert Zemeckis, que arrisca, precisamente, fazer um filme como Aliados [Allied], evocando e invocando a grande tradição do melodrama de guerra de que Casablanca continua a ser, apesar de tudo, o símbolo mais universal.

Para evitar confusões, Zemeckis situa mesmo a primeira parte do seu filme em... Casablanca! Humphrey Bogart e Ingrid Bergman não passam de uma memória inacessível, mas o seu simbolismo romântico surge revisitado por um novo par, Brad Pitt e Marion Cotillard, vivendo também uma aventura em que a frieza dos jogos de espionagem se combina com as intensidades do impulso amoroso.

Digamos, para simplificar, que se trata da história de um par assombrado. Max Vatan (Pitt) é um oficial canadiano que recebe a missão de assassinar o embaixador alemão em Casablanca, para tal contando com a colaboração de Marianne Beauséjour (Cotillard), das fileiras da Resistência francesa. Missão cumprida, apaixonam-se e vão viver para Londres até que, um dia, já casados e com uma filha, ainda sem se vislumbrar o fim da guerra, Max é informado pelos serviços britânicos de que há suspeitas de Marianne ser uma espia alemã...

No seu esquematismo, este resumo limita-se a corresponder à imagem promocional de Aliados (as peripécias referidas coincidem com as que estão no respectivo trailer). Como qualquer sinopse do género, pouco ou nada nos diz sobre a riqueza dramática do filme. Convém referir, a esse propósito, que Zemeckis contou com a colaboração essencial de um argumentista tão talentoso como o inglês Steven Knight que escreveu, por exemplo, Estranhos de Passagem (Stephen Frears, 2002) ou Promessas Perigosas (David Cronenberg, 2007), tendo também realizado o magnífico Locke (2013), em que Tom Hardy interpretava uma personagem solitária, ao telefone, a conduzir o seu automóvel

Aliados pode definir-se como uma odisseia sobre as formas de coexistência de verdade e mentira, do desejo e das suas máscaras. Isso é particularmente importante logo no capítulo inicial, em Casablanca, com Max e Marianne a encenarem a relação romântica das suas personagens fictícias (observem-se as cenas no terraço, à noite, em que sabem que a vizinhança espreita os seus beijos e abraços). Tal encenação confunde-se já com a sua própria história de amor, ilustrando essa íntima crueldade que alguém definiu dizendo que “o amor é dar o que não se tem a alguém que não o quer”.

  • Publicado em Feature

Aliados

Digamos, para simplificar, que muitos espectadores terão sido conduzidos para este filme — ou melhor, dele têm sido afastados — através de dois discursos igualmente equívocos. O primeiro, dominante no espaço crítico dos EUA, enraíza-se numa perturbante cegueira histórica, não conseguindo sequer identificar o modo como Robert Zemeckis está, de facto, a assumir uma posição de resistência a muitas modas contemporâneas, celebrando a energia de uma narrativa clássica de enorme depuração. O segundo, desavergonhadamente sustentado pelos tons cor-de-rosa da imprensa mais medíocre, insiste em descrever o filme como uma espécie de derivação burlesca da ruptura conjugal de Brad Pitt e Angelina Jolie, sugerindo algum envolvimento amoroso de Pitt com Marion Cotillard...

Repare-se: não se trata de gostar “mais” ou gostar “menos” deste filme em particular (ou de qualquer outro). Trata-se tão só de relembrar que a descrição e discussão (?) dos objectos cinematográficos a partir de tais pressupostos não passa de um exercício pueril e gratuito, alheio a qualquer gosto genuinamente cinéfilo.
De cinefilia se trata, como sempre, no trabalho de Zemeckis. Aqui, ele apropria-se do modelo de melodrama de guerra que possui uma referência obrigatória no «Casablanca» (1942), de Michael Curtiz, para contar a história de um par que, em França, colabora na resistência ao avanço dos nazis — e será preciso sublinhar que o lançamento da acção na cidade de Casablanca é tudo menos acidental?

Estamos, afinal, perante um brilhante argumento assinado por Steven Knight — o mesmo que escreveu «Estranhos de Passagem» (Stephen Frears, 2002) ou «Promessas Perigosas» (David Cronenberg, 2007), e realizou «Locke» (2013), com Tom Hardy. A sua teia de peripécias, desembocando na hipótese de a relação amorosa de Marianne (Cotillard) e Max (Pitt) estar assombrada pela traição de Marianne, desenvolve-se como um jogo de verdade e mentira que, em última instância, expõe a fragilidade de qualquer relação humana em contexto de guerra. «Aliados» é, enfim, um grande conto moral, como poucos que os estúdios americanos têm produzido nas últimas décadas — a sua solidão merece ser celebrada, não vilipendiada.

cinco estrelas

Contracampo «Aliados» - Já ninguém se lembra dos clássicos?

O fenómeno merece alguma atenção, quanto mais não seja porque a sua repetição possui um inevitável valor sintomático. Assim, da América, sopram ventos críticos (?) contra filmes que, de uma maneira ou de outra, se distinguem pela sua fidelidade a determinados padrões clássicos — penso, concretamente, em «Uma História Americana», de e com Ewan McGregor, a partir do romance «Pastoral Americana», de Philip Roth, e «Aliados», melodrama de guerra com Brad Pitt e Marion Cotillard dirigidos por Robert Zemeckis (leia-se, como revelador exemplo, o texto de Kate Erbland sobre o filme de Zemeckis, no site IndiWire).

O fenómeno reflecte uma desconcertante componente crítica (?) que se tem acentuado em tempos recentes. A saber: uma atitude reticente, misto de desconfiança e zombaria, perante qualquer projecto que, de forma mais ou menos explícita, resista aos vícios correntes de espectáculo, sejam eles a exploração de novos gadgets (3D & etc.), seja a recusa de filmar como se se tivesse um telemóvel na mão, retirando ao espectador o simples gosto de identificar aquilo que está a ver...

O problema, entenda-se, não está, nunca esteve, no mero juízo de valor que cada um possa formular sobre determinado filme — julgar que o trabalho crítico se pode compreender, ou apenas conhecer, através das célebres estrelinhas, não passa de uma banal consagração da ignorância. Haverá, por certo, razões muito legítimas para tratar os filmes citados como “melhores” ou “piores” (e não quero esconder que ambos me entusiasmam). O problema reside, ainda e sempre, na consagração de uma atitude de sobranceria, ou mesmo de altiva indiferença, face à possibilidade de estabelecer alguma relação com o património clássico.

A noção segundo a qual o cinema “progride” apenas porque utiliza novas conquistas tecnológicas ou acede a novas plataformas de difusão é, no mínimo, simplista. Como se o reconhecimento da revolução cubista na pintura nos permitisse arrumar Rembrandt no armário das coisas dispensáveis... Ser cinéfilo é também (será mesmo sobretudo) manter a disponibilidade para a complexa pluralidade da história do cinema.

  • Publicado em Feature

Aliados

O cineasta norte-americano Robert Zemeckis é dono de uma carreira com títulos memoráveis, tendo também conseguido vencer o Óscar de Melhor Realizador por «Forrest Gump» (1994). Em 2015, Zemeckis tentou inovar com «The Walk - O Desafio», um filme vertiginoso que levava aos limites o conceito do 3D, mas que acabou por não agradar muito à crítica. Agora, o cineasta viaja ao passado, num filme de época em plena II Guerra Mundial, sobre uma história de amor peculiar entre um militar britânico e uma agente da Resistência francesa. Zemeckis volta, assim, a um filme envolvido com questões bélicas, o que já não acontecia desde «Forrest Gump». O argumento de «Aliados» está a cargo de Steven Knight, nomeado para o Óscar de Melhor Argumento Original por «Estranhos de Passagem» (2002), de Stephen Frears. O casal é composto por uma dupla infalível de atores: Brad Pitt e Marion Cotillard, duas estrelas já mais do que consolidadas. Antes de começarem as filmagens, os dois atores “passaram muito tempo a desenvolver os seus personagens com o realizador”, conta Graham King, produtor do filme, que realça que “foi fantástico ver os personagens parecerem tão vivos e reais”. “O Brad e a Marion já tinham o máximo respeito um pelo outro, por isso, quando mergulharam nos personagens, a sua química foi elétrica”, acrescentou. Será também o verdadeiro momento de Lizzy Caplan num filme dramático, podendo explorar essa vertente que revela na série «Masters of Sex».

HISTÓRIA Em 1942, Max Vatan (Brad Pitt), um militar britânico, casa com a agente francesa Marianne Beausejour (Marion Cotillard), após uma perigosa missão em Casablanca. Entretanto, Max descobre que há indícios de que Marianne seja uma espia nazi e começa a investigá-la.

REALIZADOR: ROBERT ZEMECKIS («Regresso ao Futuro», 1985; «Forrest Gump», 1994; «O Náufrago», 2000; «The Walk: O Desafio», 2015)

ELENCO: BRAD PITT, MARION COTILLARD, LIZZY CAPLAN DATA DE

ESTREIA PREVISTA: 1 DE DEZEMBRO (PORTUGAL)

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«Junto ao Mar» de Angelina Jolie

 Há qualquer coisa de bizarro e, num certo sentido, incómodo na descoberta de «By the Sea»/«Junto ao Mar», terceira longa-metragem de ficção realizada por Angelina Jolie, directamente no mercado do DVD. Daí a desencantada pergunta que, mesmo sem respostas seguras, importa formular: que está a acontecer no espaço público do cinema (português e não só) quando um filme, dirigido e interpretado por alguém como Angelina Jolie, na companhia do seu marido Brad Pitt, é objecto de tão desconcertante secundarização?

Enfim, importa não alimentarmos qualquer falsa ingenuidade. Ninguém está a sugerir que a imagem mais estereotipada de Jolie (uma espécie de “eterna” Lara Croft) se adequa a «Junto ao Mar» ou que, em última instância, poderia servir para promover o filme junto dos seus espectadores potenciais. Nada disso. Este é mesmo um exemplo de um cinema de invulgar pulsação intimista, alheio a qualquer look da moda, com um timing narrativo tão delicado e subtil que faz mesmo lembrar algumas experiências revolucionárias dos anos 60, em particular de um autor como o italiano Michelangelo Antonioni («A Aventura», «A Noite», «O Eclipse»).
Em termos simples, digamos, então, que estamos perante a história de um casamento exposto aos seus mais radicais silêncios. Em meados da década de 1970, o cenário de uma praia esquecida do Sul de França (de facto, a rodagem decorreu na ilha de Malta) acolhe Vanessa (Jolie), uma ex-bailarina que parece perdida na nostalgia da arte que já não pratica, e o marido Roland (Pitt), escritor confrontado com a angústia da página em branco. A expectativa romântica — a reconciliação afectiva de Vanessa e Roland — vai-se transfigurando num insólito processo de redescoberta que encontra uma espécie de espelho, material e simbólico, num outro par (interpretado por Mélanie Laurent e Melvil Poupaud).

Através de uma admirável depuração dos tempos narrativos, este é um filme em que o “nada” que acontece se vai consolidando como uma arquitectura de afectos em que cada personagem se revela muito para além das aparências que cultiva. Dir-se-ia um filme de análise psicológica, mas é, sobretudo, uma fascinante peça dramática sobre a física e a metafísica de uma relação a dois (ou, como sugeria Freud, a quatro...)

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Depois de «Na Terra de Sangue e Mel» (2011) e «Invencível» (2014), Angelina Jolie confirma-se, assim, como uma cineasta de muitas singularidades, além do mais conseguindo neste caso, a partir de um argumento minimalista (também de sua autoria), concretizar um projecto alheio às convenções da sua imagem de marca e também à facilidade de qualquer moda cinematográfica ou mediática. Filme com ambíguas componentes autobiográficas?... Não nos precipitemos em jogos fúteis, cúmplices da desavergonhada mediocridade da imprensa cor de rosa. Registe-se apenas que, desta vez, ela assina: Angelina Jolie Pitt.

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Título Nacional Junto ao Mar Título Original By the Sea Realizadora Angelina Jolie Actores Angelina Jolie, Brad Pitt, Mélanie Laurent, Melvil Poupaud Origem Estados Unidos/França Duração 122’ Ano 2015

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