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Actualizado às 11:18 PM, Aug 21, 2019

Cleópatra

Quando Elisabeth Taylor vestiu a pele de Cleópatra no épico de 1963 de Joseph L Mankiewicz estava longe de ser a primeira atriz a levar ao grande ecrã a figura, entretanto mitificada, da rainha egípcia. 19 anos antes americana, de origem francesa, Claudette Colbert tinha envergado semelhante desafio, sendo a primeira a fazê-lo na era do cinema sonoro (o que subentende que, antes, outras Cleópatras tinha havido).Antes do mais convém deixar claro de que Cleópatra se fala quando se fala de Cleópatra. Trata-se, na verdade, de Cleópatra VII, a penúltima rainha do Egito ptolomaico – sucedeu-lhe, por nove dias, o curtíssimo reinado do filho Cesarion, fruto de um relacionamento com Júlio César, que reinou como Ptolomeu XV. A ligação a César, um outro relacionamento com o também romano Marco António (que tomou o partido do velho general assassinado em 44 a.C.) e a morte, conta-se, pela picada de uma áspide – ideia que alguns historiadores recentes têm contestado – ajudaram a criar uma narrativa que a cultura popular, sobretudo o cinema, depois mitificou.Foi Meliès quem levou pela primeira vez a memória da antiga rainha a um filme sobre o seu túmulo, em 1899. E após dois biopics nos tempos do mudo, um em 1912 por Charles L Gaskill (com Helen Gardner no papel principal) e outro, cinco anos depois, por J. Gordon Edwards (com Theda Bara), o som chegou a Cleópatra com uma nova adaptação, nos estúdios Universal, com Cecil B DeMille na cadeira do realizador.Trata-se de uma abordagem dominada pela mitificação das figuras, cheia de incorreções históricas – tanto na narrativa como numa direção artística que cria um Antigo Egito que só na Hollywood dos anos 30 faria sentido – mas que tem na força da expressão da protagonista o seu maior tesouro (Claudette Colbert ganharia um Oscar no ano seguinte como Melhor Atriz em ‘Uma Noite Aconteceu’, de Frank Capra). Longe de ser o melhor ‘biopic’ da rainha egípcia e também distante dos melhores filmes de época de então, não deixa de ser um episódio digno de se assinalar na história das representações de uma figura que não teria talvez a mesma dimensão mítica sem o estatuto que o cinema lhe deu.

tres estrelas

Título Nacional Cleópatra Título Original Cleopatra Realizador Cecil B DeMille Actores Claudette Colbert, Warren William, Henry Wicoxon Origem Estados Unidos Duração 100’ Ano 1934

(Publicado originalmente na Metropolis nº27)

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