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Actualizado às 12:33 AM, Nov 18, 2019

O Hobbit: Uma Viagem Inesperada - Blu-ray

O primeiro capítulo de O Hobbit é intitulado “Uma Viagem Inesperada” e se, em termos técnicos, é prodigioso, a nível narrativo a história arrasta-se ligeiramente, assemelhando-se a uma versão de A Irmandade do Anel, do qual bebe os mesmos princípios narrativos. O enredo relata “o incidente com o dragão”, referido no início de A Irmandade do Anel num diálogo entre Frodo e Gandalf no dia do aniversário de Bilbo Baggins e em termos cronológicos, a aventura desenrola-se 60 anos antes deste encontro: a odisseia de Bilbo com o feiticeiro Gandalf e treze anões, os companheiros numa missão impossível: enfrentar o dragão Smaug, um perigoso cuspidor de fogo das Terras do Norte e reconquistar a Montanha Solitária, antigo bastião do rei anão Thór, avô de Thorin Escudo de Carvalho, o líder desta expedição. A coragem e astúcia são ingredientes necessários, mas rapidamente percebe-se, através do herói acidental Bilbo Baggins, que por vezes são os pequenos feitos, como actos de amor e audácia das pessoas comuns, que deixam o Mal à margem dos acontecimentos.

hobbit 2

O filme não é muito canónico em relação ao texto original, e nem poderá ser se desejar entreter o público com uma saga de nove horas. A acção no presente é intercalada com eventos no passado (a queda do reino anão debaixo da montanha, a criação do mito de Thorin) e no futuro, numa clara ponte para os eventos da trilogia do Senhor dos Anéis (as ocorrências sinistras começam a ocorrer na Terra Média). Os pontos altos são a chegada ao ex-libris do mundo de Tolkien – Rivendell, o altar dos elfos e um local de tacto, charme e cânticos elficos; a “montanha-russa” nas grutas dos orcs; e a entrada em cena de Gollum, com um memorável tête-à-tête com o herói do filme e que será o ponto de partida da saga que já vimos no cinema.

É difícil não pensar e, sobretudo, não comparar com O Senhor dos Anéis quando visualizamos O Hobbit. A escala da trilogia literária tinha outra complexidade e diferentes emoções e, neste último aspecto, Peter Jackson e os restantes argumentistas conferiram um dramatismo que o livro não possuía no que concerne à representação visual e emocional da aura tenebrosa que começa a pairar na Terra Média. Sem surpresas, a produção é imaculada e o nível das interpretações é exemplar: por detrás de fatos de borracha, próteses e detectores de motion-capture residem interpretações sólidas e várias delas dignas de referência – Ian McKellen (Gandalf), Andy Serkis (Gollum), Martin Freeman (Bilbo), Richard Armitage (Thorin) e Barry Humphries (Great Goblin).

O visionamento caseiro é menos exaustivo e sem os óculos 3D, o nosso olhar pode contemplar em pleno todo o ecrã, não estando a visão limitada a um ponto de convergência. O reencontro com este universo está novamente marcado para o Natal e pelo meio está prometida a versão extensa...

tres estrelas

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A edição em Blu Ray é constituída por dois discos, o primeiro com o filme e o segundo com os extras: trailers, um postal da Nova Zelândia e a compilação de dez vídeo blogs. Não será nenhum segredo que outras edições irão surgir no futuro com mais opções especiais, mas o nível de qualidade de som e imagem roça a perfeição e as duas horas de acompanhamento da rodagem, ainda que não seja material inédito, são uma adição simpática a este lançamento de referência.

New Zeland Home of the Midle Earth (10´) leva-nos numa viagem a lugares incríveis com a equipa de filmagens nas duas ilhas principais da Nova Zelândia. É necessário visualizar estas localizações exteriores para se acreditar que os lugares são reais, alguns dos quais já tinham sido utilizados na trilogia O Senhor dos Anéis. Todos os exteriores são 100% Nova Zelândia.

Video Blog #1 - Start of Production
O making of inicia-se a quatro dias do arranque da rodagem com uma visita aos sets, os cenários familiares e a expansão de outros, a claustrofobia dos túneis dos orcs, o conforto do Fundo do Saco, os ensaios e os fatos de espuma. E uma cerimónia maori baptiza o estúdio das filmagens.

Video Blog #2 Location Scouting
Esta entrada coincide com o término das filmagens em estúdio, quando os actores vão de férias e Peter Jackson e a sua equipa iniciam a pesquisa dos locais de filmagens exteriores. A tarefa é feita com cinco helicópteros que batem o terreno em simultâneo procurando as localizações para diferentes sequências, mas também com a preocupação de planearem toda a logística da rodagem.

Video Blog #3 Shooting Block One
Andy Serkis (director da segunda unidade) e Peter Jackson conversam sobre os momentos altos dos primeiros meses de rodagem: o regresso à gruta de Gollum, a linguagem dos anões, o treino intenso e o reencontro com Cate Blanchett, Hugo Weaving e Ian McKellen.

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Video Blog #4 filming em 3D
É o mais interessante dos vídeo blogs, com um olhar para os saltos tecnológicos desta produção e o avançado processo de filmagem. A câmara Red Epic esteve na base das filmagens 3D e não foi um processo fácil com o equilíbrio entre a mobilidade e a estrutura das câmaras. Foram utilizadas 48, a maioria baptizada com o nome de familiares e cães de Peter Jackson: cada uma possuía um cartão de 120 gigas (não foi utilizada película) e todo o processo foi filmado em digital. As filmagens foram feitas com uma resolução de 5K (o normal é 4K) e a 48 frames por segundo (normalmente, os filmes são rodados a 24), ambicionando tornar a acção no ecrã mais próxima da realidade. As filmagens em 3D tiveram várias implicações estéticas nos diversos departamentos técnicos: por exemplo, os tons vermelhos na maquilhagem, as próteses e o cabelo.

Video Blogs Locations Part 1
A logística de transportar o material da produção aos quatro cantos da Nova Zelândia: 140 camiões e 500 pessoas, numa viagem durante sete semanas e meia por paisagens majestosas. Realce para a construção da Hobbiton: em 1999, a construção da aldeia de Bilbo e Frodo tinha sido feita em esferovite, mas desta vez as estruturas foram feitas para durar, construindo-se 44 casas personalizadas de tijolo e cimento.

Video Blogs Locations Part 2
A rodagem chegou aos locais mais remotos da Nova Zelândia e numa cordilheira próxima do famoso monte Cook (o ponto mais alto das ilhas) foram utilizados 10 helicópteros para transportar o elenco e equipa de filmagens.

Video Blog 7 – Stone St. Studios
O quartel general de O Hobbit situa-se em Wellington, nos estúdios de Stone Street. Peter Jackson e companhia fazem uma visita guiada a um espaço que, no passado, era uma fábrica de tintas. O local foi crescendo com a criação de novos estúdios para as diferentes produções de Peter Jackson e este microcosmos alberga os estúdios, vários departamentos técnicos (maquilhagem, próteses, tecnologia, figurinos), zonas das caravanas para o elenco e um exterior com uma parede gigante com um fundo verde.

Video Blog 8 Wrap of Principal Photography
Peter Jackson, Philippa Boyens (a argumentista) e alguns actores apresentam o filme à Comic Con em São Diego. No regresso ao estúdio inicia-se a contagem decrescente para o fim da rodagem principal, um momento para escutar as memórias de profissionalismo e amizade de ano e meio de produção.

Video Blog 9 Post-Prodution
É um dos capítulos interessantes deste documentário para se entender a escala e os timings da pós-produção, com visitas a Park Road Post, à Weta Digital e à Abbey Road, local onde o compositor Howard Shore gravou a orquestração sonora.

Video Blog 10 Wellington World Premiere
O fim da viagem e os (mega) preparativos para uma ante-estreia épica em Wellington.

Mídia

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