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Actualizado às 9:31 PM, Aug 22, 2019

Cavaleiro de Copas

“Era uma vez um jovem príncipe cujo pai o enviou para o Egipto a fim de encontrar uma pérola. Quando o príncipe chegou, o povo serviu-lhe uma taça e, ao bebê-la, este esqueceu-se que era filho do rei, esqueceu-se da pérola e caiu num sono profundo.” É desta forma que Terrence Malick nos introduz «O Cavaleiro de Copas». A partir daqui, o filme é uma deambulação constante à procura da pérola, que não é mais do que a essência e a luz única de cada ser, adormecida por crenças que limitam, em vez de expandir. Através de imagens imaculadamente belas, e sob uma banda sonora etérea, o realizador leva-nos numa road trip atribulada pela falsidade, consumismo e beleza efémera da cidade, conseguindo depois resgatarnos para o conforto dos quatro elementos e da mãe de todos: a natureza. E nisso, é exímio. Oferece-nos o vento, a água, o fogo e a terra, de uma forma ímpar. Malick dá-se ao luxo de deixar o argumento disperso, como peças de um puzzle espalhadas. Perdido na sua existência, sabemos que Rick (Christian Bale) é um homem de sucesso; que casou com o amor da sua vida, mas precisou de algo mais; que o suicídio do irmão o transtornou e abriu um buraco na família; que o outro irmão é o seu maior fã mas, como todos os irmãos, amam-se e odeiam-se e são reflexo das ambições dos pais; adora mulheres, qual Cavaleiro de Copas, pois todas elas lhe trazem algo de novo; mas, no fim, é nas provações que está a dádiva da vida, é das trevas que nasce a luz, e estamos sempre a tempo de recomeçar. Não é um filme de fácil digestão. Obriga-nos a parar e a despojar de preconceitos para o podermos absorver. Não é gratuito, não é linear. É antes uma viagem pela procura da essência do ser, pela família, pelo amor e pela fé, à disposição de todos os que quiserem ler nas entrelinhas. 

quatro estrelas

Título Nacional Cavaleiro de Copas Título Original Terrence Malick Realizador Zack Snyder Actores Christian Bale, Cate Blanchett, Natalie Portman Origem Estados Unidos Duração 118’ Ano 2015

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº41)

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